“Um SUS 5.0 faz uma revolução na qualidade de vida da população mais necessitada”, diz Patrícia Ellen no Global Summit 2020

Artigo “Um SUS 5.0 faz uma revolução na qualidade de vida da população mais necessitada”, diz Patrícia Ellen no Global Summit 2020
Data:

15/10/2020

Secretária de Desenvolvimento Econômico de SP defendeu o uso da tecnologia no combate à desigualdade no acesso à saúde; especialistas debateram a importância da regulamentação da telessaúde

O papel do líder na saúde digital foi tema de painel realizado durante o Global Summit Telemedicine & Digital Health 2020 – maior e mais relevante encontro sobre telemedicina e saúde digital da América Latina, promovido pela Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com o Transamerica Expo Center. Moderado por Francisco Balestrin, presidente do Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) e do Sindicato dos Hospitais do Estado de São Paulo (SindHosp), o talk show contou com a participação de Eduardo Cordioli, gerente médico de Telemedicina no Hospital Israelita Albert Einstein, Chao Lung Wen, professor da Universidade de São Paulo (USP), e Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.

  Entre os temas abordados no encontro realizado em ambiente 100% digital, destaca-se a necessidade da democratização de assistência à saúde de qualidade para a população. Patrícia afirmou que a tecnologia deve ser utilizada para combater essa desigualdade de acesso no país. “Um SUS 5.0 faz uma revolução na qualidade de vida da população mais necessitada”, disse. Para ela, o teleatendimento precisa ser acessível para todos.

A pandemia do novo coronavírus mostrou que a tecnologia é uma grande aliada e que a telessaúde veio para ficar. Durante a crise, em alguns casos, esse método foi a única alternativa. “A telemedicina melhora o acesso, a experiência do paciente, a aderência ao cuidado e, assim, o desfecho da saúde como um todo. E não só a teleconsulta, mas a utilização de dados, por exemplo, nos ajuda com a distribuição de recursos e chegar aonde não chegávamos”, acrescentou Cordioli.

O governo de São Paulo, por exemplo, implantou programas e planos de ação dedicados a promover a digitalização e a transformação digital na saúde no estado. “Vivemos 6 anos em 6 meses. O que antes era um plano se tornou uma emergência. Tivemos que mapear, como nunca havia sido feito antes, o sistema de saúde inteiro, tanto o público quanto o privado”, disse a secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.

Entre as iniciativas anunciadas pelo governo de SP durante a crise do coronavírus está o Sistema de Monitoramento Inteligente de São Paulo (SIMI-SP), viabilizado para acompanhar informações agregadas e anônimas sobre deslocamento nos municípios paulistas mapeados. Os dados são disponibilizados por prestadores de serviços de telecomunicação por meio de uma plataforma Big Data gerida pela Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações (ABR Telecom).

Outra iniciativa divulgada pelo governo de SP foi o Programa Multisaúde, criado em parceria com o Hospital Albert Einstein para agilizar o atendimento especializado à população a longa distância. O objetivo é reduzir o tempo de diagnóstico e de início de tratamento por meio de teleconsultoria com médicos. A princípio, o programa conta com o atendimento na área de dermatologia. Através do aplicativo, profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) poderão coletar imagens de alterações na pele de cada paciente e enviar o conteúdo para teledermatologistas do hospital.

Essas inovações revolucionaram a medicina e o cuidado com o paciente. No entanto, mesmo com benefícios claros, a digitalização da saúde ainda enfrenta dois grandes desafios: implementação e regulamentação. A utilização da telemedicina em escala no estado de SP, por exemplo, só foi possível, pois, em abril desse ano, o governo federal aprovou uma medida provisória que permitiu seu uso durante a crise. “Como fica o legado dessas tecnologias no pós-pandeia?”, questionou Patrícia.

Para Cordioli, o papel das lideranças em saúde digital é cobrar essa regulamentação dos órgãos responsáveis. “Precisamos dialogar para expor as melhores práticas. Não podemos aceitar um ‘não’ sem cobrar explicações científicas. As entidades de saúde precisam trocar experiências sobre o que funciona e o que não funciona”, disse, acrescentando que a falta de regulamentação da telessaúde pode desmotivar o investimento tecnológico e o treinamento de profissionais nessa área. 

“A verdadeira telemedicina não nasce sem nenhuma boa educação feita com avaliação de competências práticas. Sem isso, ela será superficial e prejudicial. Esse método médico não pode existir sem um centro de auditoria de qualidade de serviços. Os líderes precisam começar a pensar toda a cadeia para termos uma telessaúde responsável e ética”, completou o professor Wen.

Quebrando paradigmas em busca de mais inovação

“A saúde nunca será somente digital, ela sempre será híbrida”, argumentou Wen. O professor comentou durante o evento sobre a necessidade de se repensar o setor como um todo e analisar os significados de alguns conceitos, a começar pelo termo ‘saúde digital’. “Se a ela fosse digital, teríamos que destruir todos os hospitais. O que defendemos é uma assistência médica conectada, onde todo o sistema existente se integra em uma camada digital. Usamos o digital para expandir o presencial”.

A quebra de paradigmas é um agente de mudanças. Na gestão em saúde, as renovações são essenciais para a promoção de uma assistência à saúde cada vez melhor e mais acessível para a população. É o caso de se pensar a ampliação do uso da telemedicina fracionada – que pode ser acessada online ou sem conexão à internet. “O uso dessa tecnologia permite a inclusão de pessoas mais humildes dentro do sistema”, afirma Wen.

 Um exemplo de telemedicina não sincronizada é o aplicativo lançado pelo esse ano pelo Ministério da Saúde no combate ao coronavírus. O “Coronavírus – SUS”, além de fornecer informações sobre a pandemia e guias sobre como se prevenir do vírus, a ferramenta oferece uma espécie de “triagem virtual” para o usuário. Através de um questionário, o cidadão que estiver com suspeita de infeção pode conferir se os sintomas são compatíveis com o da Covid-19.

Para o professor, é preciso pensar que a telemedicina é feita para pessoas e não para pacientes. “O cuidado centrado no paciente é arcaico e linear. O paciente é passivo e refém de doenças. A atenção precisa ser centrada em pessoas. Quando a gente pensa em um futuro para saúde, precisamos pensar em quantas coisas conseguiremos quebrar para criar uma ruptura. Não de trata de apenas teleconsulta”, finalizou.

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