Transformação digital deve tornar a saúde mais acessível e eficiente

Artigo Transformação digital deve tornar a saúde mais acessível e eficiente
Data:

14/10/2020

Debate do Global Summit Telemedicine & Digital Health mostra que oportunidades integradas no setor irão beneficiar médicos, usuários e toda a sociedade

Assim como em vários setores da economia mundial, temos visto uma numerosa multiplicação das plataformas web e de dispositivos móveis com aplicações em saúde. A transformação digital no setor está tornando a medicina mais pessoal, acurada e orientada por dados, utilizando tecnologias inteligentes para capacitar o paciente, por meio de ferramentas úteis, no gerenciamento eficiente de sua saúde.

As inovações em informações e comunicação têm transformado todos os setores da sociedade e o mercado global de healthcare é cada vez mais impulsionado pelo monitoramento remoto, pela tecnologia da informação e a pela inteligência artificial. “Em saúde, temos investido cada vez mais energia em refinar a nossa visão de futuro e identificar quais são os pontos-chaves para nos aproximar dos empreendedores e dos executivos que têm liderado essa transformação”, explicou Felipe Nobre, sócio de Investimentos da Velt Partners, no painel “Estratégias Nacionais e Internacionais de Investimentos em Saúde e Saúde Digital: Desafios e Oportunidades na Visão dos Investidores”, realizado no segundo dia do Global  Summit Telemedicine & Digital Health (GS), promovido pela Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com o Transamerica Expo Center.

Nas últimas décadas, segundo Nobre, ainda que os avanços nas diversas áreas da medicina tenham crescido, no que se refere aos usuários, a evolução tem sido mais lenta. “Ainda temos uma cadeia custosa, baseada em relacionamentos analógicos e pouco amigáveis. Os avanços que vemos nos parecem incrementais até agora”, lamentou, mas disse acreditar que a maior oferta de profissionais deve aumentar o número de médicos dispostos a experimentar novas soluções digitais e novos modelos de remuneração.

Para ele, no pós-pandemia de Covid-19 o setor deve passar por transformações, impulsionadas pelos avanços da tecnologia e flexibilização regulatória, como tem ocorrido com a telemedicina, que, aliada à prescrição digital, tem melhorado a saúde da população, facilitando a integração dos serviços, e reduzindo custos.

O momento é mesmo  propício para se investir em saúde, na opinião de Felipe Rodrigues Affonso, diretor do Softbank Group International, tanto pelas oportunidades que a  amplitude de novos negócios traz, como pela visão de que a transformação digital deverá modificar o setor em algo mais acessível, integrado e eficiente, beneficiando os usuários e a sociedade como um todo.

O cenário atual forçou desde grandes organizações de saúde até médicos a utilizarem as tecnologias disponíveis para manter o atendimento e acompanhamento de seus pacientes. Neste contexto, há diversas possibilidades de reconhecimento e desenvolvimento da potencialidade da transformação digital na saúde.

É preciso desmistificar o receio de que essas transformações não são benéficas ao relacionamento médico-paciente. “Antigamente, olhava-se somente os custos com as inovações. Agora, vemos que os aplicativos e demais ferramentas são parceiros do médico e do usuário, com uma oferta de serviços, inclusive, para facilitar a adesão aos tratamentos”, explicou Affonso, para quem as soluções digitais complementam e aprimoram os modelos de prestação de serviços integrados e centrados nas pessoas e na melhoria contínua da saúde da população, garantindo equidade.

Investimento em ciência

Com a ideia da inovação, é muito importante financiar a ciência para que a tecnologia possa atender a população. Segundo Marie-Hélène Bèland, vice-cônsul do Canadá, que trouxe a experiência de seu país para o GS2020, o nível de capacidade científica é muito relevante para a saúde em todo o mundo. “As atividades do setor estão intimamente ligadas à informação e comunicação e dependem de conhecimento e tecnologia para viabilizar mecanismos inovadores, efetivos, eficazes e eficientes que ampliem o alcance e aumentem a qualidade, a resolubilidade e a humanização dos diversos aspectos da atenção em saúde”, explicou.

A experiência bem-sucedida canadense, que investiu em cinco superaglomerados (superclusters) um milhão de dólares, para desenvolver tecnologia para os vários setores da economia, sendo em sua maior parte da saúde, vem fomentando a inovação para superar os desafios de maneira estratégica.

A inteligência artificial, o enfoque no ensino e pesquisa e a contrapartida da iniciativa privada para cada dólar investido pelo governo no projeto vem promovendo o desenvolvimento do Canadá em áreas como engenharia genética, biomedicina, neurociência, genômica e medicina regenerativa, consideradas prioritárias e muito importantes. “A saúde digital já recebeu 8,6 bilhões de dólares e as plataformas e soluções para o setor estão auxiliando inclusive nos estudos sobre a Covid-19, que podem ser inclusive compartilhados com os outros países”, destacou Bèland.

Por isso, a transformação digital deve ser um processo estruturado e estratégico de mudança de mindset e de cultura organizacional, rumo a um modelo de gestão ágil e digital, pois são nos momentos de adversidades que surgem oportunidades com grande potencial de mudanças. Temos o aparato necessário para revolucionar o setor de saúde brasileiro. Estamos vivendo um momento de diálogo e atenção, mas também de inovação, reinvenção e desenvolvimento. Muitas startups estão nascendo, e as empresas mais tradicionais devem estar preparadas para arriscar e reinventar os seus processos”, ressaltou Felipe Affonso.

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