Transformação digital deve contribuir para a evolução da telemedicina e do cuidado contínuo

Artigo Transformação digital deve contribuir para a evolução da telemedicina e do cuidado contínuo
Data:

30/04/2021

14º Warm Up realizado pelo Global Summit reuniu profissionais do setor para falar sobre o quanto as tecnologias e a inovação estão transformando a área da saúde

A necessidade de isolamento decorrente da pandemia de Covid-19 fez com que a conectividade se tornasse peça-chave na nova forma de realizar atendimentos e pensar em estratégias de saúde digital. A transformação, já em andamento e no planejamento de diversas instituições, foi acelerada e imediatamente colocada em ação.

A prática da telemedicina, mais do que uma opção, passou a ser uma grande aliada dos médicos e dos paciente na assistência à saúde. O maior exemplo é a telemedicina que, no Brasil, teve sua regulamentação temporária liberada por conta da pandemia, e desde então vem tomando grandes proporções.

No 14º Warm Up – evento de aquecimento para o 3º Global Summit Telemedicine & Digital Health, que será de 9 a 12 de novembro deste ano, em formato virtual –, profissionais de empresas que atuam nos segmentos de telemedicina e telessaúde debateram, no último dia 20 de abril, os próximos passos da transformação da saúde digital para trazer mais conforto e segurança aos pacientes neste novo formato de atendimento e os avanços das plataformas de atendimento a distância.

“Desde o início da pandemia, a telemedicina vem tomando grandes proporções. Fez instituições, empresas e profissionais repensarem como continuar com suas atividades e seus negócios em um novo modelo. Atender aos pacientes em meio às restrições tornou-se uma importante ferramenta para a saúde em todo o país”, destacou o presidente do Conselho Científico do Global Summit, Jefferson Gomes Fernandes, na abertura do Warm Up.

Jihan Zoghbi, CEO da Dr. TIS – empresa especializada em soluções na nuvem, principalmente em telemedicina e telerradiologia, que conta com plataformas de armazenamento de imagens médicas, envolvendo desde a aquisição da imagem do exame ao diagnóstico –, contou que o segmento vem proporcionando conquistas nos últimos anos.

“Nosso cliente é um parceiro que, ao longo de três anos, tem nos ajudado a construir a jornada da telemedicina e a nos dar uma visão dos próximos passos, que vemos que é desenvolver mais soluções em nuvem para o mercado de saúde, trazendo mobilidade, agilidade, segurança e economia para os centros de diagnóstico por imagem, hospitais e clínicas”, explicou.

Presente em 16 estados e no Distrito Federal, com mais de 730 instituições, em 57 cidades, a Dr. TIS mensalmente realiza mais de 1,2 milhão de exames e cerca de 250 mil teleconsultas. Para Jihan, esses números são significativos pela telessaúde estar apenas a um regulamentada no Brasil e a empresa ter sido fundada há poucos anos.

“A telemedicina aproxima médicos e pacientes por meio do uso de tecnologia. O objetivo é facilitar o acesso à saúde, garantindo atendimento seguro e eficiente e agilizando diagnósticos”, garantiu a CEO da Dr. TIS.

Investimento gera expansão

A mesma visão tem Ian Bonde, CEO da ViBe – plataforma de cuidado à saúde, que oferece atendimentos gratuitos (“freemium”) e soluções que vão além da telemedicina, trabalhando no segmento B2C. Ele contou que os investimentos em saúde digital têm se multiplicado com a pandemia de Covid-19, expandindo o mercado brasileiro de saúde e trazendo evolução do uso de ferramentas digitais.

“Acredito que em saúde digital, uma das grandes tendências é a junção da telemedicina e do cuidado contínuo, e a ViBe já trabalha com esse conceito há algum tempo”, afirmou Bonde, que contou que empresa investiu em uma solução “one stop shop” de cuidado digital, com tecnologia best in class, com interface clara, intuitiva e de fácil uso e que ainda conta com equipe própria multidisciplinar, abordagem personalizada e humanizada, no melhor cuidado digital.

Fundada em 2018, Bonde disse que a empresa é a líder em saúde digital no mercado de atenção primária, com 1,5 milhão de downloads e mais de 140 mil atividades mensais dos usuários. Em seu aplicativo, os pacientes têm acesso a chat com enfermeiras, médicos e psicólogos, avaliações e enquetes sobre saúde física e mental, desafios diários e premiações para ajudar a construir hábitos cada vez mais saudáveis.

“Oferecemos toda a parte de telemedicina, tanto on demand quanto agendamento, linha de cuidado, saúde clínica e mental, engajamento de conteúdo e desafios, todas essas funcionalidades trabalhando em conjunto. Investimos para a ViBe ser uma clínica na palma da mão, com equipe de médicos, enfermeiros e psicológicos para atender os pacientes a qualquer momento, porque acreditamos que cuidado contínuo integral e saúde digital são o novo normal”, ressaltou Ian Bonde.

Mas a pandemia também trouxe desafios e muitas empresas tiveram que se reinventar. Foi o caso da Neomed – plataforma digital que permite ao paciente o gerenciamento e o controle de exames em tempo real por métodos gráficos em um só ambiente, independente do equipamento utilizado. A empresa já atendeu mais de 500 mil vidas, está presente em mais de 150 clínicas, hospitais e laboratórios e realiza mais de 23 mil laudos por mês.

Gustavo Kuster, CEO da Neomed, contou que os obstáculos foram muitos com a crise sanitária de emergência em saúde púbica gerada pelo novo coronavírus e que buscar novos horizontes foi a solução encontrada.

“Com a pandemia, tivemos uma queda de receita de 95%, então começamos a entender onde estávamos e o que precisávamos fazer. Entendemos que os próximos passos da Neomed eram o marketplace, inteligência artificial, laudo e gestão digital da jornada do paciente crônico, focado nas doenças cardiovasculares”, revelou Kuster.

Em 2019, quase 9 milhões de pessoas sofreram infarto no mundo, mais de 300 mil no Brasil e mais de 100 mil mortes aconteceram em decorrência da doença. A proposta da Neomed é com o seu software identificar se o paciente tem um eletrocardiograma normal ou anormal, para o médico fazer o laudo de forma mais rápida.

“A inteligência artificial neste caso não é para substituir o profissional de saúde, mas sim agilizar o fluxo de trabalho com laudo mais rápido”, explicou Kuster, lembrando que a liderança firme diante dos desafios impostos pela pandemia mostrou que os horizontes na saúde digital são muitos.

Certificação digital

A questão da prescrição digital e digitalização de documentos na saúde, segundo Antônio Carlos Endrigo, diretor adjunto de TI da Associação Paulista de Medicina (APM) e diretor médico da Nexodata, sempre foi motivo de polêmica na área da saúde, mesmo antes da pandemia.

“Com relação à visão e a experiência médica hoje no uso das prescrições digitais, não posso deixar de falar de prontuário eletrônico e plataforma de telemedicina. Nosso desafio com a prescrição digital era o costume do médico em prescrever os medicamentos à mão e a farmácia aceitar essas prescrições, mas com a pandemia o digital se tornou comum”, contou Endrigo, lembrando que o certificado digital foi fundamental para a validação de documentos digitais, assim como a legislação, que deu a base para o funcionamento deste mercado.

Ele explicou que com a Nexodata, o médico tem a própria plataforma de prescrição e o documento eletrônico pode ser encaminhado ao paciente pelo celular e posteriormente para a farmácia, assinado através de certificado digital, com valor legal.

“A Nexodata hoje é a única empresa do mercado que tem praticamente todos os tipos de certificados digitais disponíveis. Independente de qual o médico tenha, ele consegue assinar a prescrição e enviar ao paciente. Por isso, estar de acordo com a legislação é fundamental para a prática da telemedicina”, destacou Endrigo.

Ele comentou ainda que em tempos de Covid-19, autorizar a prática da telessaúde e telemedicina foi muito importante, pois com o isolamento social inicialmente imposto, os pacientes precisaram ter alternativas de acesso aos serviços de saúde em situações de baixa complexidade, para orientação e para garantir o monitoramento aos pacientes crônicos.

Encerrando o evento, Jefferson Fernandes afirmou que: “É fundamental que tenhamos uma legislação que, de forma definitiva, possa garantir a utilização dessas modalidades de cuidados à saúde das pessoas, em todas as suas funcionalidades, principalmente em teleconsultas, para que possamos praticar estes cuidados de forma responsável e com qualidade”.

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