Telemedicina pode antecipar tendências e ampliar a capacidade do atendimento à saúde

Artigo Telemedicina pode antecipar tendências e ampliar a capacidade do atendimento à saúde
Data:

26/05/2021

Durante Warm Up do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021, especialistas e fundadores da Saúde Digital Brasil trouxeram suas visões e reforçaram a importância da telemedicina na evolução e gestão da saúde populacional no Brasil e discutiram os entraves para a regulamentação definitiva

Os desafios e oportunidades da telemedicina para grandes populações foi tema da última edição do Warm Up do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2021, realizado em 20 de maio. O evento mensal é oportunidade para quem atua e tem interesse em saúde digital, telemedicina e telessaúde para interagir com profissionais do mercado nacional sobre o quanto as tecnologias e a inovação estão transformando a área da saúde. Os pontos que vêm sendo colocados em discussão para a regulamentação definitiva da telemedicina, como a territorialidade (médicos só podem atender por telemedicina os pacientes do seu estado) e a proibição do atendimento via telemedicina em situações de primeira consultas, foram destaques importantes do debate, que enfatizou ainda outras vantagens de se usar a telemedicina, como a antecipação de tendências.

Além de Dr. Jefferson Fernandes, presidente do Conselho Científico do Global Summit Telemedicine & Digital Health; e Dr. Antonio Carlos Endrigo, diretor de Tecnologia da Informação da APM (Associação Paulista de Medicina), participaram da discussão, os fundadores da SDB – Saúde Digital Brasil, Guilherme Weigert (médico cardiologista e CEO e Co-founder da Conexa Saúde); Fábio Tiepolo  (CEO e founder da Docway); Caio Soares (diretor médico da TelaDoc Health e vice-presidente da SDB); e Eduardo Cordioli (gerente médico de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein e presidente da SDB).

O cenário no Brasil ainda é bastante complexo, apenas 47 milhões dos 210 milhões dos brasileiros têm acesso a seguros de saúde, os outros 163 milhões dependem do sistema público de saúde. Enquanto o setor privado tem muito a crescer, o público é muito carente de serviços de saúde e o custo de saúde é muito alto, em um país que ainda tem muito que investir, em especial em tecnologia.

“Existem várias oportunidades. A tecnologia pode transformar o setor, democratizar e melhorar a qualidade de saúde no Brasil. Ela traz acesso, qualidade e experiência com alta resolutividade. Há muito falamos da necessidade do cuidado integrado de saúde, mas vemos muita dificuldade de ver isso na prática. Tem hospitais que fazem isso, mas com dificuldade de escala, mas vemos que o digital possibilita isso. Nos permite conectar um pronto atendimento com o virtual, com especialidades clínicas e outros tipos de cuidados e fazer o acompanhamento de diversos tipos de doença, inclusive no caso de Covid-19 e até doenças mentais”, explica Guilherme Weigert.

Fabio Tiepolo complementa dizendo que, do ponto de vista de gestão de saúde populacional, a telemedicina, além de evitar idas desnecessárias ao pronto atendimento, proporcionar esclarecimento de dúvidas, prescrições, triagem e, claro, a realização das consultas, auxilia na elaboração de mapas de risco e na obtenção de dados que ajudam a entender melhor os riscos e comportamentos. Pontos estes que só ajudam a aprimorar a qualidade e a coordenação do cuidado.

“É interessante tentarmos entender o porquê de não usar a telemedicina. Os contrapontos são muito frágeis. Não acho que a competição da telemedicina deva ser com a saúde, e sim, com o Google, que não tem informação confiável e é onde o paciente acaba indo buscar uma orientação. Pelo contrário, a telemedicina traz sustentabilidade para o sistema e quanto mais demorarmos para aceitá-la, mas perdemos a oportunidade de evoluir, enfatiza. 

Para Caio Soares, além de facilitar o acesso e aumentar a velocidade com que o paciente é cuidado, entregar resolutividade, aumentar a segurança e evitar desperdícios, outra grande vantagem é a de antecipar cenários, o que é crucial quando se olha para a saúde de populações. “Fazendo uma análise estatística com base nas curvas de crescimento dos atendimentos via telemedicina, no caso da Covid-19, por exemplo, percebemos que eles permitem antecipar a informação entre cinco ou sete dias em relação ao que é observado no presencial. Ou seja, temos informações valiosas para gestores com uma semana de antecedência. Quanto dinheiro, recursos e principalmente vidas poderiam ser poupadas se a tecnologia for utilizada da forma correta”, complementa.

Eduardo Cordioli, que está liderando a SDB, foi enfático ao afirmar que: “Telemedicina é medicina para grandes populações. Só por meio da tecnologia é que vamos chegar a todos os brasileiros”. Por sua facilidade de acesso e a possibilidade de levar cuidado, em especial, às regiões mais escassas, ela é capaz de diminuir as desigualdades no cuidado da saúde que temos por conta da extensão territorial. A recém-criada associação (SDB) reúne organizações que atuam na cadeia de prestação de serviços de telemedicina e que desenvolvem atividades relacionadas à saúde digital, sua meta é ampliar o uso da tecnologia, possibilitando não só acesso universal, como o incremento do desenvolvimento científico-tecnológico e a inovação na saúde.

“Imagine um paciente diabético que precisa fazer uma viagem de cinco dias de barco para ser atendido em Manaus, porque mora distante do serviço médico. Além do risco, imagine o custo que isso envolve”, complementa.

Cordioli trouxe ainda números levantados junto às 11 empresas associadas da entidade. De março do ano passado a abril de 2021, foram mais de 7,5 milhões e meio de atendimentos, sendo que 87% dos atendimentos realizados foram de primeiras consultas. Foram evitadas idas desnecessárias ao pronto-socorro em 4,5 milhões dos atendimentos. Além disso, em 1% dos casos a telemedicina foi definitiva para salvar vidas. “São mais de 75 mil vidas que podem estar entre nós, por conta do uso da telemedicina. Essa é a função da saúde digital.  A decisão a respeito de adotar ou não a telemedicina deve ser do médico”, ressalta.

Além da capacidade e autonomia do médico em decidir quando uma primeira consulta pode ou não ser virtual, uma vez havendo o aceite do paciente, os participantes defenderam a necessidade de uma legislação e regulamentação que não tragam restrições desnecessárias e tampouco comprometam o acesso da população a este método de cuidados à saúde. Neste sentido, também houve consenso que a prática da telemedicina pelos médicos seja possível ser realizada em todo território nacional, independentemente do Estado no qual o médico tenha seu registro profissional. Importante, também, que os médicos e profissionais da saúde sejam capacitados para o uso adequado deste método e das tecnologias por ele utilizadas.  

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