Telemedicina é um importante meio para o cuidado integral da saúde

Artigo Telemedicina é um importante meio para o cuidado integral da saúde
Data:

31/08/2021

Evento de aquecimento para a 3ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health debateu as visões de representantes de operadoras e provedores do Brasil e de Portugal sobre saúde digital e atendimento remoto

A tecnologia é parte importante no nosso dia a dia e se tornou indispensável em vários setores, inclusive na saúde. A versatilidade dos recursos tecnológicos também é uma realidade quando se pensa na oferta de mais e melhores serviços na assistência à saúde da população e neste aspecto, a telemedicina é uma peça-chave para a ampliar o acesso universal e integral.

Esta é a opinião dos especialistas que participaram do Warm Up – termo criado para os eventos prévios do Global Summit Telemedicine & Digital Health – realizado na manhã do último dia 19 de agosto, que teve como tema “Operadoras e provedores: visões da saúde digital e telemedicina no Brasil e Além-Mar”.

“A pandemia da Covid-19 desencadeou um crescimento exponencial dessas áreas globalmente, mostrando que precisamos de agilidade no desenvolvimento de soluções e de serviços digitais que atendam às necessidades de saúde neste novo mundo em que estamos vivendo”, destacou o neurologista Jefferson Gomes Fernandes presidente do Conselho Científico do Global Summit, que foi um dos moderadores do webinário preparatório para a 3ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health (GS 2021), que será de 9 a 12 de novembro, em formato virtual. O outro moderador foi Antonio Carlos Endrigo, diretor de Tecnologia de Informação da Associação Paulista de Medicina (APM), realizadora do evento em parceria com o Transamerica Expo Center.

O GS 2021, segundo Fernandes, será especial, com mais de 200 palestrantes, 20 conferencistas internacionais, seis painéis internacionais, 36 painéis nacionais e muito mais.

“Vamos abordar uma diversidade de temas que irá interessar a todo o ecossistema da saúde digital”, ressaltou Fernandes, que também é diretor do Programa de Educação da Sociedade Internacional de Telemedicina e e-Health (ISfTeH).

No Warm Up, Viviane Mathias, gerente de Telemedicina e Serviços Digitais da SulAmérica, disse que a telemedicina atua como viabilizadora do cuidado integral e personalizado ao paciente, pois, por meios tecnológicos, ela tem demonstrado que não é uma ferramenta, mas, sim, um método de investigação e cuidado integral, que usa as tecnologias e a comunicação na assistência à saúde.

“Cada um de nós tem várias facetas, por isso quando pensamos em cuidado do paciente, temos de pensar em cuidado personalizado e integral, para cada um. A telemedicina e telessaúde têm demonstrado que são aliadas para oferecer um atendimento efetivo, integral aos pacientes. São áreas em grande ascensão aqui e no mundo e têm promovido o acesso à saúde de qualidade, fazendo diferença na vida de muitas pessoas”, afirmou Viviane.

Segundo a especialista, é muito importante falar de saúde integral, porque os sistemas dos players do mercado não estão, em sua visão, genuinamente preparados para que esse cuidado amplo seja aplicado, de maneira a encarar corpo e mente como indivisíveis, além de observar o lado financeiro dos pacientes – atualmente, são 14 milhões de desempregados e isso impacta na saúde emocional e na nutrição das pessoas.

“A telemedicina vai apoiar e resolver esses problemas? Acreditamos que sim, pois ela é um meio, não um fim. Boa parte das questões são resolvidas a distância, mas, além disso, ela também funciona como gatilho para buscar apoio em redes complementares”, afirmou a gerente.

Viviane ainda mostrou um estudo que aponta que 50% das seguradoras de saúde do mundo já oferecem serviços de telemedicina. Na SulAmérica, houve aumento de 5.000% em atendimentos remotos quando comparado ao período pré-pandemia.

“Realizamos mais de 850 mil consultas de pronto atendimento e de especialidade, com 95% de resolutividade (com acompanhamento posterior de 48 horas)”, completou.

Desafio tecnológico

Com a mesma visão, Fernando Ferrari, diretor-geral da DOC24 no Brasil, comentou que, de fato, há preocupação em trazer mais qualidade de vida e atendimento médico para todos.

“Nesse sentido, vejo a pandemia como grande divisor de águas. Não só no modelo de relação pessoal, mas, principalmente, na questão do atendimento médico. Antes, nós tínhamos um modelo super tradicional de atendimento, em que pessoas e os próprios médicos tinham necessidade do toque e da consulta presencial”, pontuou.

Segundo Ferrari, com o cenário em que as pessoas não podiam sair de casa por questões de segurança sanitária, os modelos híbridos de atendimento passaram a ser muito relevantes. Por isso, a questão regulatória do atendimento a distância é importante.

“Já há debates no Congresso Nacional sobre a nova regulamentação da telemedicina e da telessaúde a partir do momento em que deixarmos de viver em estado de pandemia. O ponto que não há como evitar: precisamos correr atrás de tecnologia e sempre manter o foco na inovação, possibilitando todos os avanços aos pacientes”, ressaltou o diretor-geral da DOC 24.

Ferrari ainda lembrou que a telemedicina possibilita também a ampliação da assistência em regiões remotas, passando pela qualificação de profissionais a distância, facilita a discussão de casos e até o monitoramento de pacientes crônicos.

Larissa Vilela Cruz, gerente médica da Central de Consultas on-line da Unimed BH, contou que a experiência da operadora com os consultórios-cabines, nos quais os profissionais médicos atendiam os pacientes a distância, em um local de atendimento presencial conectado com a central on-line, tem mostrado que é possível associar qualidade assistencial e tecnologia a serviço do paciente.

“Em 2021, tivemos muita evolução. Constituímos um pronto atendimento on-line, um ambulatório de egressos pós-Covid 19, e o atendimento – disponível 24 horas – para pequenas urgências, com consultas no mesmo dia, com clínicos, pediatras e médicos de família”, explicou Larissa.

Em relação às boas práticas, ela a gerente afirmou que a Unimed BH manteve o foco na educação permanente e produção de protocolos para as principais doenças atendidas virtualmente, que foram entregues aos médicos digitalmente e via podcasts, vídeos e aulas virtuais.

“O ambulatório de egressos pós-Covid 19 foi a última iniciativa. Quem tem alta dos hospitais recebe contato e é convidado a buscar o ambulatório para uma transição do cuidado. Os médicos na central on-line fazem as consultas com esses pacientes e criam planos de cuidado. Quando necessário, eles são encaminhados para os outros ambulatórios para avaliação ou para equipe multidisciplinar, pensando na reabilitação. Entregamos integralidade ao paciente”, garantiu Larissa.

Os números do Centro de Consultas on-line apresentado mostram que a iniciativa tem dado resultados positivos. São 409 médicos e 21 colaboradores dando suporte à operação. Os profissionais são distribuídos em 85 postos de trabalho simultâneos, exigindo esforço na administração centralizada. Foram realizadas mais de 484 mil consultas de pequenas urgências e mais de 23 mil atendimentos nos consultórios-cabines.

“Mais que números, entregamos qualidade, com 92% de resolutividade em 72 horas”, afirmou a gerente médica da Central de Consultas on-line da Unimed BH.

Experiência internacional

Daniel Ferreira, diretor do Centro Clínico Digital do Hospital da Luz, em Lisboa (Portugal), ressaltou que a robótica, a realidade aumentada, a terapia genética, as tecnologias de saúde digital e a realidade virtual, estão sendo utilizadas em todo o mundo, sobretudo no Ocidental e que é fato: “O futuro é agora”.

Ele lembrou que a telemedicina já era prevista em 1925, há quase um século, e que em Portugal, há mais de 20 anos há experiências em, por exemplo, em telecardiologia pediátrica. Apesar disso, e de os benefícios dessa prática serem conhecidos, ainda existe um temor de que o atendimento remoto possa ser prejudicial.

“Há um grande receio que a telemedicina interfira na relação médico-doente. Me sinto um pouco ofendido. Sou clínico e penso que se eu fosse admitir que comprometesse a minha relação com meus doentes, ficaria ofendido. Temos que pensar que a telemedicina é uma nova forma de cuidar. E cuidar presencialmente não significa necessariamente que tenha mais ou menos sucesso do que o remoto”, explicou Daniel.

Corroborando com seu raciocínio, o médico mostrou um vídeo, rodado em Recife (PE), em que os pacientes eram questionados sobre o que queriam durante um atendimento médico e todos reclamavam que muitos profissionais não os olhavam no rosto, evidenciando a importância da medicina humanizada.

“Cuidar dos pacientes tem que ser a motivação de qualquer profissional de saúde que se empenhe. Já reconhecemos os pontos negativos e positivos da telessaúde e é verdade que a telemedicina exige cuidados. Somos entusiastas, mas temos de ter cuidado. Não pode prejudicar a relação médico-doente”, declarou o especialista português.

Ao fim do encontro, os palestrantes opinaram sobre as questões que estão sendo discutidas no Congresso Nacional para a regulamentação definitiva da telemedicina e da telessaúde no Brasil.

“É preciso dar autonomia ao médico e liberdade de escolha ao paciente para decidir se cabe ou não a teleconsulta, seja na primeira ou nas subsequentes. O debate tem mostrado a evolução da saúde digital, o que demonstra claramente os benefícios da telemedicina para a população, para os serviços e para o sistema de saúde” concluiu Jefferson Fernandes.

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