Saúde digital proporciona aumento da assistência e da qualidade dos serviços no setor

Artigo Saúde digital proporciona aumento da assistência e da qualidade dos serviços no setor
Data:

24/06/2021

Warm Up promovido pelo Global Summit, em parceria com a ISfTeH, trouxe a visão de especialistas sobre evolução tecnológica no atendimento à saúde

A pandemia acelerou a adoção da saúde digital e do atendimento virtual em todo o mundo, e esse é um caminho sem volta. A evolução dos recursos tecnológicos integrados à telemedicina continua impulsionando mudanças no mercado de saúde, permitindo maior acessibilidade e qualidade dos serviços.

Esta é a opinião dos especialistas internacionais que participaram do 16º Warm Up internacional do Global Summit Telemedicine & Digital Health, em parceria com a International Society for Telemedicine and eHealth (ISfTeH), realizado na manhã do último dia 17 de junho, que teve como tema a “Digital Health Around the World: Experiences and Views of Experts”.

“A pandemia da Covid-19 desencadeou um crescimento exponencial dessas áreas globalmente, mostrando que precisamos de agilidade no desenvolvimento de soluções e de serviços digitais que atendam às necessidades de saúde neste novo mundo em que estamos vivendo”, destacou o neurologista Jefferson Gomes Fernandes presidente do Conselho Científico do Global Summit, que foi um dos moderadores do webinário preparatório para a 3ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health, que será de 9 a 12 de novembro, em formato virtual.

Frank Lievens, secretário-executivo da ISfTeH, que dividiu a moderação com Fernandes, ressaltou a importância do debate sobre a saúde digital e vê como uma benção a evolução no setor.

“Esse novo formato de assistência à saúde nos permite alcançar muito mais pessoas. Isso também tem se refletido nos eventos do setor, já que na forma virtual temos a oportunidade de ampliar o debate. Para a ISfTeH tem sido positivo, pois já atingimos mais de 100 países em todos os níveis, entre associações nacionais, institucionais, governamentais e não governamentais, corporações e indivíduos, inclusive os enfermeiros – profissionais que mais usam a tecnologia digital”, comentou Lievens.

Para Karl A. Stroetmann, pesquisador sênior na Communication & Technology Research, na Alemanha, e membro do Conselho da ISfTeH, o ecossistema da saúde digital é a aplicação holística de tecnologia de informação e comunicação, que ajuda a apoiar e melhorar a prestação de serviços de saúde.

“A saúde digital existe para apoiar os serviços e sistemas de saúde. Muitas pessoas esquecem disso, e de maneira ideal não devemos notá-la mesmo, como não se percebe o celular ou a internet, pois já fazem parte do nosso cotidiano”, comentou o especialista.

Stroetmann lembrou que saúde digital não é um conceito novo. A questão é que ele não foi introduzido de um jeito racional ou lógico. Agora, tem-se a oportunidade de melhorar isso, observando o que funcionou e o que deu errado durante a pandemia, pois há um crescente número de estudos sendo publicados sobre os aspectos da assistência à saúde virtual.

“Com eles, avançaremos no desenvolvimento de padrões de segurança e qualidade para hardwares, softwares e aplicações”, destacou.

Facilitar a interoperabilidade (comunicação entre os dados de sistemas de empresas distintas; por exemplo, um hospital e um convênio) e assegurar que todas as informações sobre saúde sejam precisas e constantemente atualizadas são pontos que, para o pesquisador, ainda têm de evoluir.

“A saúde digital é uma possibilidade fantástica de coordenar os serviços de saúde, que estão cada vez mais complicados e especializados. Precisamos de uma integração de todos os serviços, incluindo os domínios distritais e nacionais. Essa área precisa se preocupar com a segurança, governança, responsabilidade e com os recursos eletrônicos, colocando todos esses aspectos em uma estrutura de plataforma aberta”, ressaltou Stroetmann.

Para ele, o plano de ação precisa ser detalhado e específico, saber exatamente o porquê de estar implementando a tecnologia nos sistemas de saúde, se é para diminuir a fila de espera, ajudar as unidades ou melhorar o controle de qualidade. Isso irá determinar quais os tipos e trocas de dados serão necessários.

“Aprendi que a abordagem de recursos abertos permite uma boa implementação e evita que a tecnologia caia na cilada de apenas estar ali e não fazer o seu papel. O principal não é focar na estrutura, mas nas responsabilidades legais, quem insere os dados, qual a responsabilidade dos médicos, estrutura, procedimentos e aspectos jurídicos”, salientou.

Avanços e progressos

Os negócios em telessaúde, na visão de Krishnan Ganapathy, professor honorário da Universidade Médica Tamilnadu, na Índia, e presidente da Sociedade de Telemedicina indiana, trouxe grandes avanços para os serviços de saúde do país.

Na índia, hoje são realizadas mais de 10 mil teleconsultas por dia. Cerca de 70% da população vive em áreas rurais, mas apenas 3% dos médicos especialistas daquela região atuam nessas áreas, por isso a prática de telemedicina, apesar de ter sido implementada apenas em 2001, trouxe progressos na assistência à saúde.

O especialista destacou que um dos maiores projetos de teleoftalmologia, o e-Eye Kendram, que com 150 centros oftalmológicos no sul da Índia, fornece exames oftalmológicos, diagnóstico e consultas ao público a distância, com equipamento digital automatizado, câmera de fundo, refrator automático, lensômetro, conjunto de teste e outros dispositivos de rastreio ocular.

“Em um país em desenvolvimento como a Índia, em 20 minutos um paciente em uma vila consegue receber uma avaliação computadorizada, vendo e analisando o fundo de retina, com o profissional da área fazendo a análise, mostra que demos um grande passo na assistência à saúde da população”, afirmou Ganapathy.

O professor disse ter aprendido que ainda precisa de muito trabalho para juntar todos os profissionais no mesmo barco. Para cada projeto que fazem, realizam uma avaliação de necessidades detalhada, e o ponto principal é construir a ponte entre os especialistas urbanos, que são altamente qualificados, e os beneficiários remotos. Mas para isso acontecer, ele disse que precisa selecionar o método de mensuração, coletar e analisar os dados e, por fim, implementar as decisões.

“Precisamos ter um cenário na saúde que mude rapidamente, vimos isso com a pandemia. Todas as pessoas precisam ter o direito de acesso à saúde de alta qualidade. Quando uma nova tecnologia chega, é necessário aprender a comandá-la. Tivemos uma transformação global e a Covid-19 foi uma cepa que de fato mudou totalmente o conceito da prática de telemedicina. Acredito que, com o tempo, irá atingir a massa necessária”, garantiu Ganapathy.

Claudia Bartz, enfermeira, atuante nas áreas de Saúde, Telessaúde e Enfermagem e membro do Conselho de Diretores da ISfTeH, tem a mesma opinião do médico indiano: que a pandemia trouxe muito aprendizado sobre o cuidado com o paciente e o uso de tecnologias em saúde.

Para ela, pode-se aprender novos conceitos, como a inteligência artificial, que será utilizada para o avanço da saúde.

“Não sabemos muito sobre sua capacidade e qualidade. É algo que ansiamos aprender quando participamos de uma conferência e o Global Summit é a oportunidade para que os participantes possam obter novos conhecimentos e informações com as dinâmicas apresentadas no evento”, destacou Claudia.

Claudia explicou também a importância da pesquisa como parte dos processos da saúde digital.

“Na ISfTeH, temos um grupo de enfermeiras no qual falamos sobre trabalhar no auxílio das pessoas, não somente na leitura de publicações, mas também em como preparar os resumos em seu trabalho. Acredito que isso seja um grande avanço para as mulheres eHealth”, comentou Claudia.

Ela ainda afirmou esperar que muitos enfermeiros possam participar do GS 2021, para que consigam adquirir novas informações e mais conhecimento para serem aplicados em suas práticas.

“O objetivo é que os profissionais relatem os seus achados de pesquisas e usem de maneira colaborativa, que possam escutar, escrever e publicar suas próprias percepções”, apostou a especialista.

Evolução do conhecimento

Soluções digitais são ferramentas de uma cultura de qualidade e segurança, com o propósito maior de fornecer cuidado centrado em pessoas e cobertura de saúde universal, por isso, segundo Georgi Chaltikyan, professor e chefe do Mestrado em Saúde Digital no Instituto de Tecnologia Deggendorf, na Alemanha, e especialista em saúde digital da Organização Mundial da Saúde (OMS), a evolução da telemedicina e da telessaúde são modalidades muito importantes para o futuro da assistência médica no mundo.

“O conhecimento sobre informática médica evoluiu muito. Tivemos o desenvolvimento no campo dos dispositivos móveis e aplicativos, e depois focamos no objetivo de portabilidade e disponibilidade, e essa foi a primeira vez que começamos a falar mais fortemente no paciente como parceiro na terapia preventiva. Na última década, os especialistas começaram a falar sobre saúde digital, e essa evolução está refletida em vários documentos de política da OMS”, ressaltou Chaltikyan.

Ele explicou que a saúde digital está envolvendo e englobando eHealth, telessaúde e telemedicina, domínios de prática e conhecimento, em que a informática médica vai além de uma disciplina científica que integra gestão de dados e informação com a saúde.

“O escopo de saúde digital com relação às habilidades e competências deve incluir uma combinação dos fundamentos dos cuidados e saúde, incluindo pesquisas, ciência da computação, banco de dados, redes, softwares e gestão de informação”, destacou o professor.

Chaltikyan finalizou dizendo que a saúde digital se relaciona com tecnologia, processos de saúde e mudanças, por isso, está além da tecnologia da informação da saúde, indo em direção às transformações de sistemas da área e resultando em novas funções de trabalho.

“Existe a necessidade de promover os profissionais de uma maneira interdisciplinar, com uma fusão entre a área médica e a de TI, para que os serviços de eHealth aumentem o acesso das pessoas aos cuidados com a saúde”, concluiu.

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