Saúde digital progride no Brasil mesmo diante de inúmeros desafios

Artigo Saúde digital progride no Brasil mesmo diante de inúmeros desafios
Data:

15/10/2020

Especialistas do Ministério da Saúde falam sobre os avanços da telessaúde em um país continental e com tantas particularidades

A pandemia de COVID-19 acelerou alguns processos que vinham sendo encaminhados no campo da saúde digital. A telemedicina, por exemplo, ganhou força e adeptos durante o período de isolamento social. No Ministério da Saúde, os avanços seguem, não sem enfrentar inúmeros desafios inerentes a um país continental, com tantas particularidades.

Para tratar desse assunto e explicar os estágios em que nos encontramos, o Global Summit Telemedicine & Digital Health (GS) – maior e mais relevante encontro sobre telemedicina e saúde digital da América Latina, idealizado pela Associação Paulista de Medicina e promovido e realizado pelo Transamerica Expo Center –, recebeu os especialistas do Ministério da Saúde, Adriana da Silva e Souza, diretora do departamento de saúde digital; Luiz Júpiter, coordenador de dados abertos e análise prospectiva em saúde; e Juliana Pereira de Souza Zinader, coordenadora-geral de inovação em sistemas digitais.

Moderado por Katia Regina Silva, pesquisadora do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP (InCor-HCFMUSP) e diretora científica do Consórcio REDCap-Brasil, o bate-papo virtual trouxe os principais aspectos da saúde digital na atualidade, visto que esse é um tema extremamente relevante. “Temos certeza de que a telessaúde é algo que o brasileiro precisa para que possamos democratizar o acesso no nosso país”, comentou a moderadora.

Trabalhando na definição das diretrizes nacionais para telessaúde, o Governo Federal reconhece os principais desafios a serem vencidos: transposição de barreiras socioeconômicas, culturais e geográficas para ampliar o acesso da população; redução de custo para o SUS associado à maior qualidade do atendimento e satisfação do paciente garantindo cuidados de saúde seguros, oportunos, efetivos e eficientes; redução das filas e do tempo de espera para atendimentos e diagnósticos; e melhoria da dinâmica, evitando deslocamentos desnecessários tanto para o paciente quanto para os profissionais de saúde.

“Entendemos que vamos avançar com essas ações no Brasil. Sabemos que as ações de telessaúde estão integradas a um cenário que precisa ser muito mais explorado”, pontuou Adriana. A diretora explicou que ao assumir a pasta, percebeu que o Ministério precisava estar mais presente, dando mais apoio às entidades envolvidas na aplicação da saúde digital.

Entre as metas que o Ministério da Saúde estabeleceu para que sejam alcançadas até 2022 estão o tabelamento de valores das ações em saúde digital sempre em parceria com as agências reguladoras e conselhos de classe, visando abertura no mercado para profissionais de saúde. Sobre a percepção dos médicos sobre a adesão tecnológica – visto que havia certa resistência à telemedicina por parte do corpo clínico – Adriana esclareceu que “se esses profissionais estão capacitados, com a regulamentação necessária, o tabelamento de valores pode suprir a necessidade tão questionada pela categoria”.

As outras metas do governo envolvem capacitação técnica e infraestrutura, ampliação das redes de cooperação técnica, fortalecimento das ferramentas de monitoramento e fiscalização de recursos, construção de políticas públicas e aprimoramento da rede de ensino.

Gestão e rede de dados

É inviável tratar sobre saúde digital sem mencionar a gestão dos inúmeros dados que permeiam os sistemas de atendimento no mundo. “A gente tem desafios enormes em relação à quantidade de dados gerados”, pontuou Júpiter enfatizando que esse problema atinge inclusive a esfera financeira. “Devemos ter bilhões de dados nas plataformas e não temos como trabalhar esses dados sem ferramentas tecnológicas poderosas que agregam o sistema de informação, trabalham junto aos pesquisadores, e implementam modelos de inteligência artificial para que seja possível fazer a análise e tomar decisões”, complementou.

Muitos desses dados estão sendo trocados através da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) que visa criar um prontuário único de saúde por meio da troca de informações entre os diversos níveis de atenção. “Estamos pavimentando essa estrada e, na sequência, alimentaremos com informações seguindo nossa estratégia inicial”, esclareceu Juliana sobre o desenvolvimento da rede nos últimos meses que foi, obviamente, impulsionado pela COVID-19, mas já tinha sido previsto para ser iniciado como uma forma de permitir a transição e a continuidade do cuidado nos setores público e privado.

Enquanto a RNDS conecta todos os atores e os dados que são trocados em todo o país, estabelecendo o conceito de uma plataforma nacional de inovação, informação e serviços digitais; na ponta da cadeia – onde está o paciente – há um aplicativo que concentra essas informações clínicas: Conecte SUS Cidadão.

“A ideia é estar em evolução”, disse a especialista sobre o app já disponível para download e que permite acesso à caderneta de vacinas, diagnósticos e à oferta de medicamentos por meio do Sistema Único de Saúde. “Assim o cidadão brasileiro tem todas as suas informações de saúde concentradas”, completou.

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