Saúde digital e presencial devem andar lado a lado

Artigo Saúde digital e presencial devem andar lado a lado
Data:

14/10/2020

Para especialista portuguesa, uso de dados e da tecnologia a serviço da atenção médica devem ser utilizados em jornada híbrida do paciente

A manhã do primeiro dia de programação do Global Summit Telemedicine & Digital Health, idealizado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e promovido pelo Transamerica Expo Center, foi dedicada a experiências internacionais. Na conferência moderada pelo diretor de tecnologia de informação da APM, Antonio Carlos Endrigo, a chefe médica de Transformação Digital da CUF Saúde, de Portugal, Micaela Seemann Monteiro, dividiu sua experiência na concepção, liderança e implementação de projetos de telessaúde, abordando como saúde digital e presencial devem andar lado a lado, de forma humanizada.

No painel Merging Digital Health With Face-To-Face Care: There Is No Way Back, ela apresentou como o envelhecimento da população e o aumento da incidência de doenças crônicas são uma ameaça para a sustentabilidade no setor de saúde no mundo, e ressaltou a importância do acompanhamento individual precoce e ao longo da vida, sendo o atendimento a distância um enorme aliado no enfrentamento dessas questões.

“A atenção médica tem que mudar”, sentencia Micaela. “Temos que sair da atenção apenas aos episódios, indo para o gerenciamento contínuo e cuidado centrado na saúde, personalizada e no lar”, afirma. 

Para Micaela, esses objetivos não serão alcançados sem o uso do poder dos dados e da tecnologia a serviço de uma jornada híbrida do paciente, com teleconsultas que coexistem com atendimentos presenciais.

A importância da educação médica foi um ponto alto na discussão. Endrigo, da APM, ressalta que a maioria das escolas médicas do Brasil não tem capacitação em telemedicina. Micaela explica que o ensino de saúde digital é uma questão recente também em seu país: “Os médicos devem estar preparados e devem ser uma parte ativa na implementação do processo de telessaúde”, disse. “Quando você apresenta um novo modelo de serviços de atenção médica, tem que fazer sentido do ponto de vista clínico e os médicos são as pessoas certas para dar uma opinião sobre essa questão e para se posicionar.”

Como exemplos de casos de sucesso de telemedicina na  Europa, ela lembrou de como uma startup criou um novo conceito de saúde no Reino Unido que atua como uma espécie de “triagem” entre pacientes e médicos e chegou a ser adotado pelo sistema de saúde pública do país.

No CUF, maior prestador privado de cuidados de saúde em Portugal, onde a médica atua, desde o início da pandemia foram mais de 42 mil teleconsultas: “A maioria dos pacientes teve seus problemas resolvidos sem precisar de atendimento presencial”, ressalta.

Em pesquisa com os mais de 1.200 médicos que fizeram esses atendimentos, ainda que tenha sido constatado um alto nível de satisfação, 65% deles acreditam que a modalidade de teleconsulta deve continuar após a pandemia. Para Micaela, esse número é baixo: “A comunidade médica precisa aprender a diferenciar quando uma consulta online pode ser extremamente adequada, e quando é imprescindível a presença física”, afirma.

A especialista reconhece que há limitações difíceis de ultrapassar no teleatendimento, como a impossibilidade de auscultar ou palpar, o que, para ela, não invalida que a teleconsulta se revele uma ferramenta útil face a um leque variado de necessidades. 

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