Saúde baseada em valor é novo modelo de cuidado que exige capacitação técnica e tecnologia

Artigo Saúde baseada em valor é novo modelo de cuidado que exige capacitação técnica e tecnologia
Data:

10/10/2020

Debate trata das dificuldades para adesão ao formato que promove mudanças no modelo de remuneração em saúde; dezenas de healthtechs estão trabalhando para viabilizar essa transformação

As discussões sobre a implementação da saúde baseada em valor no Brasil já se prolongam há alguns anos, porém, avanços na adesão a esse novo modelo de cuidado já podem ser sentidos. O tema, que fundamentou um dos painéis do Global Summit Telemedicine & Digital Health (GS) – maior e mais relevante encontro sobre telemedicina e saúde digital da América Latina –, idealizado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e promovido e realizado pelo Transamerica Expo Center, desperta o interesse de múltiplos stakeholders da cadeia de saúde.

Para tratar sobre o tema dando espaço para que diversos atores fizessem suas considerações, o encontro moderado por Fabricio Campolina, diretor sênior de Transformação da Saúde da Johnson & Johnson Medical Latam, contou com apresentações de Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein; Gustavo Araujo, fundador do Distrito Inova HC; Marcia Makdisse, educadora, mentora e consultora em Value Based Healthcare (VBHC); e Fernanda Oliveira, coordenadora do Grupo de Trabalho Valor em Saúde da Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde).

Para Klajner, encarar o sistema sob a perspectiva da saúde baseada em valor soa como a melhor forma de estimular, de fato, a saúde, e não a doença. “Quando a saúde vira apenas business, acontece o que vemos nos Estados Unidos, onde quase 20% do PIB está dedicado ao setor e ele ainda não entrega, de fato, melhor qualidade e expectativa de vida”, declarou.

Porém a mudança não pode ser desvalorizada, visto que é arriscado, na opinião do executivo, investir em transformação com base em análises superficiais. Na opinião de Klajner, a real medicina baseada em valor não pode estar unicamente fundamentada na previsibilidade de custo. “Deve se basear no desfecho, no resultado do paciente, na redução da mortalidade e dos índices de complicações. Isso é muito diferente da previsibilidade de custos. Porém, quando somamos as duas coisas, entendemos exatamente onde está o valor agregado”, disse.

Para Márcia, é equivocado apontar a saúde baseada em valor como um novo modelo de remuneração, o que seria simplista demais. “Não gosto de chamar a VBHC de modelo de negócio pois, para mim, é um novo modelo de cuidado que demanda um novo modelo de remuneração”, esclareceu.

Mas essa mudança de ótica é complexa e exige um alinhamento entre todos os envolvidos.vSegundo a especialista, além de uma percepção equivocada do que de fato é a saúde baseada em valor e suas implicações na administração da saúde, há duas outras fortes barreiras à sua implementação: a falta de recursos humanos capacitados e a interoperabilidade. Além disso, Márcia enfatizou o papel das agências reguladoras. “Qualquer mudança demanda incentivos regulatórios”, comentou.

Concordando com os impactos positivos da migração de cultura, Fernanda trouxe uma perspectiva sobre a relevância da tecnologia como aliada nesse processo. “A inteligência artificial é uma realidade crescente e existe um imenso potencial dessa tecnologia pautar o modelo de saúde baseada em valor”, pontuou. Para a especialista, é preciso apenas compreender que a inteligência artificial pode ser utilizada durante todo o processo, e não apenas quando a implementação já foi feita e é preciso analisar os dados gerados. “Muitas vezes a inteligência artificial é posta próxima do valor, onde já há organização do sistema e ela se aplica à tomada de decisão. Porém temos que começar a pensar como a inteligência artificial auxilia a passar do volume para o valor”, comentou.

O avanço vindo das startups

Imerso no mercado altamente movimentado das startups, Araújo enfatizou como o setor de saúde vem ganhando espaço no empreendedorismo. Com mais de 60 healthtechs instaladas no Distrito Inova HC, o setor deve abraçar muita tecnologia nos próximos anos, inclusive para viabilizar a adesão à saúde baseada em valor. “Quando começamos sabíamos que todo o trabalho das healthtechs deveria estar voltado a melhorar o acesso da população, levando saúde – por meio de tecnologia – para locais brasileiros mais remotos; e à redução dos custos”, disse.

Lembrando que a maior parte dessas startups foi criada há apenas três anos, Araújo vislumbra meses muito positivos pela frente. “Esperamos, para os próximos anos, um volume de investimentos muito maior em healthtechs agora que o mercado tem matéria-prima de startups e empreendedores suficientes para gerar impacto”, comentou após confirmar que o setor já vinha aquecido na pré-pandemia, sofreu nos meses mais críticos, mas já se recuperou e está novamente aquecido e fortalecido.

Segundo ele, são nove as categorias principais dessas healthtechs: acesso à informação; gestão e prontuário eletrônico do paciente; marketplace; inteligência artificial e big data; medical devices; telemedicina; farmacêutica e diagnóstico; relacionamento com pacientes; e wearables e internet das coisas.

Campolina ainda comentou que o grande objetivo das healthtechs é resolver as dores dos hospitais, pacientes e profissionais de saúde. Além disso, mencionou que são essas as empresas que podem auxiliar na resolução dos entraves que impedem o avanço do Brasil para o próximo nível quando se pensa em saúde baseada em valor: “O desafio do sistema brasileiro que não investiu na criação de uma estrutura de dados provavelmente será sanado por essas startups”.

Inovação Aberta Aplicada a Modelos de Remuneração Baseado em Valor

Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein

HealthTechs & Outcome Based Agreement: Uma Perspectiva do Mercado Brasileiro

Gustavo Araujo, Fundador Distrito

O Impacto da Transformação Digital na Implementação dos Elementos-Chave dos Modelos de Remuneração Baseados em Valor

Marcia Makdisse, MD, PhD, MBA, VBHC Green Belt Educadora, Mentora & Consultora em VBHC, Mak Valor

Inteligência Artificial: A Chave para Negociar Riscos em um Mundo de VBC

Fernanda Oliveira, Coordenadora Grupo de Trabalho Valor em Saúde da Abimed

Newsletter

Inscreva-se e acompanhe as novidades sobre o Global Summit Telemedicine & Digital Health 2020.