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Queremos quebrar barreiras geográficas, diz gerente de telemedicina do Einstein

Artigo Queremos quebrar barreiras geográficas, diz gerente de telemedicina do Einstein
Data:

04/10/2019

Um serviço de atendimento a distância com suporte 24 horas por dia e sete dias por semana, sob a chancela de profissionais de saúde com experiência e conhecimento. Uma definição adequada ao Telemedicina Einstein, iniciativa do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) que opera há sete anos.

Fundado pelo médico Cláudio Lottenberg, presidente da instituição entre 2001 e 2016, o programa conecta médicos e pacientes em videoconferências. Este recurso possibilita ao paciente, por exemplo, entrar em contato com um médico plantonista, explicar seus sintomas e verificar se realmente há necessidade de ir ao pronto-socorro.

“Somos pioneiros neste atendimento direto ao paciente porque temos um sistema de qualidade muito robusto”, explica Eduardo Cordioli, gerente médico de telemedicina no Einstein. “Fazemos uma telemedicina responsável, em que não apenas garantimos a criptografia da imagem de ponta a ponta, mas também na qualidade médica.”

O Telemedicina Einstein também viabiliza as “tele-UTIs” – em que os especialistas visitam os pacientes à distância, acompanhados de um plantonista no local – e uma gama de produtos voltados à melhoria de qualidade de vida do paciente. Estes serviços incluem tratamento de crônicos, melhoria da educação alimentar e otimização de diagnósticos.

Um dos palestrantes na edição inaugural do Global Summit Telemedicine & Digital Health, Cordioli explica um pouco mais sobre a missão do programa e seus objetivos em médio e longo prazo. Confira como foi a conversa abaixo.

Como surgiu a iniciativa do projeto de telemedicina no Einstein?

A telemedicina no Einstein surgiu em 2012. Na época, o Dr. Cláudio Lottenberg, então presidente do hospital, estimulava essa ação de começarmos a estudar a telemedicina. O projeto então começou com uma iniciativa do Dr. Eliezer Silva para dar suporte a pronto-socorros e UTIs espalhadas pelo Brasil, isto é, médicos do Einstein dando suporte a outros médicos que estavam em UTIs, pronto-atendimentos e salas de emergência. Este projeto, que durou cinco anos e se encerrou no final de 2017, foi feito para o Ministério da Saúde dentro do Proadi [Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS]. Foram feitas mais de 8 mil consultas, sendo que em 70% delas houve uma mudança de decisão no médico que estava na outra ponta. Ou seja, em 70% das vezes que o médico entrou em contato com um médico do Einstein, ele mudou para uma conduta melhor em relação ao paciente.

À época, como vocês identificaram essa demanda por um serviço de telemedicina mais robusto no Brasil?

Em 2012, identificamos que a telemedicina estava ganhando muita força no mundo. A análise estratégica feita pela alta gestão do Einstein tinha identificado um movimento muito grande de instituições importantes no mundo, como Cleveland Clinic, Mayo Clinic, Johns Hopkins Hospital, Harvard… Ou seja, não apenas instituições norte-americanas estavam se movimentando para implementar a telemedicina, mas no mundo, especialmente devido à melhoria nas tecnologias de telecomunicação. Dest aforma, com o advento da internet 4G, a possibilidade de se fazer telemedicina se tornou mais palpável. Então, enquanto esses avanços se davam ao redor do mundo, o Einstein percebeu a necessidade de ter um plano. Foi então que o Dr. Claudio Lottenberg solicitou ao Dr. Eliezer Silva, que hoje é diretor de Medicina Diagnóstica e Ambulatória no Einstein, que iniciasse o projeto.

Em linhas gerais, qual é o diferencial da Telemedicina Einstein em relação ao que se tem disponível atualmente no cenário brasileiro?

O grande diferencial do Einstein é o pioneirismo na telemedicina direta ao paciente. Desde o início, acreditamos e apostamos na videoconferência como a melhor forma de entregar telemedicina em tempo real. Apostamos nela como uma televideoconsultoria entre o paciente, o médico local e o médico à distância. Então, temos uma relação fluida entre o clínico geral, com o paciente ao lado, e o médico do Einstein dando essa conduta e vendo o paciente junto com o médico clínico.

O Einstein também foi o primeiro a fazer teleatendimento direto ao paciente. Hoje temos um produto, uma linha de serviço chamada teletriagem, em que o paciente com dois cliques entra em contato com o nosso médico. Ele é orientado, por exemplo, dependendo do sintoma, a ir ou não a um prontoatendimento. Somos pioneiros, portanto, neste atendimento direto ao paciente muito porque temos um sistema de qualidade muito robusto. Fazemos uma telemedicina responsável, não apenas no aspecto tecnológico, em que garantimos a criptografia da imagem de ponta a ponta, mas também na qualidade médica.

Antes de praticarmos qualquer serviço, estudamos os protocolos internacionais, adaptamos para a realidade do Brasil, treinamos os médicos e começamos [o serviço] em pequena escala, aumentando de forma gradual e mantendo o controle de qualidade, O que é fundamental na telemedicina.

O Hospital Albert Einstein é conhecido por destacar a responsabilidade social como uma de suas bases de ação – por exemplo, o programa desenvolvido na Comunidade de Paraisópolis (PECP) desde 1998. O projeto de telemedicina segue o mesmo caminho? Vocês fazem algum tipo de parceria pública com o governo para ampliar este alcance?

Sim, temos muitas atividades de telemedicina. Inclusive a maioria dos pacientes atendidos pela telemedicina do Einstein vem de parcerias com o Ministério da Saúde. Hoje já temos três grandes projetos em ações com o SUS. Um deles é o combate à judicialização da saúde. Há muitas liminares solicitando tratamentos inadequados dentro do SUS, o que faz com que se gaste muito dinheiro com coisas erradas, prejudicando não apenas os pacientes como os recursos financeiros do Estado.

Em tempo real, por meio do E-NatJus [sistema online que reúne notas e pareceres sobre evidências científicas de efetividade clínica para tratamento de doenças], estamos dando suporte a juízes tomarem a melhor decisão, não autorizarem liminares sem correto embasamento científico ou a intenção correta de ver o que é melhor para o paciente. Esta é uma linha de serviço que fazemos ao Proadi, um sistema de suporte dos hospitais particulares filantrópicos ao SUS.

O Einstein também trabalha na administração de dois hospitais para o Estado: o Hospital Vila Santa Catarina e o Hospital M’Boi Mirim [também chamado de Dr. Moysés Deutsch]. Neles, prestamos atendimento à telemedicina pelo SUS e, através dela, colocamos todos os nossos especialistas para dar suporte aos médicos que estão de plantão na saúde. Por exemplo, se um paciente chega ao prontoatendimento com um AVC, daremos suporte, via telemedicina, ao clínico de plantão que conduzir o caso.

Outra linha de serviço são as tele-UTIs. Estamos fazendo um trabalho à SAS (Secretaria de Atenção à Saúde), onde colocamos um médico do Einstein para dar visitas à distância nas UTIs do SUS, compartilhando conhecimento, orientando as melhores práticas e, com isso, reduzindo a mortalidade nas unidades. Isto é uma forma de melhorar o giro de leito, o que consequentemente aumenta as vagas nos hospitais.

Por fim, quais as metas do projeto em médio e longo prazo?

A meta é atender mais de 200 milhões de pessoas, isto é, atender todos os brasileiros. A meta é que a telemedicina possa levar o Einstein a todos. Nós temos uma missão, o Hospital tem uma missão, que é levar excelência, geração de conhecimento e qualidade em saúde para toda a sociedade brasileira. A telemedicina pode ajudar o hospital nesse sentido, quebrando barreiras geográficas e democratizando o cuidado à saúde ao torná-lo mais assertivo e acessível. Essa é a meta do nosso projeto em médio e longo prazo e nosso presidente atual, Dr. Sidney Klajner, coloca a telemedicina como um dos pontos estratégicos mais importantes do Einstein.

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