Possibilidades e perspectivas da telemedicina em diferentes especialidades médicas

Artigo Possibilidades e perspectivas da telemedicina em diferentes especialidades médicas
Data:

15/10/2020

Painel no Global Summit Telemedicine & Digital Health reuniu médicos e executivos da saúde em debate com objetivo de ampliar o acesso a saúde no país

O uso da telemedicina em especialidades médicas, como neurologia e cardiologia, foi um dos temas abordados no terceiro dia de Global Summit Telemedicine & Digital Health, em 15 de outubro. Um painel dedicado contou com apresentações do diretor da Sinapse, Daniel Santos; do médico-referência do Centro de Telemedicina Hospital Israelita Albert Einstein, Carlos Pedrotti; do CEO da NeoMed, Gustavo Kuster; e da professora da Universidade Federal do Rio De Janeiro (UFRJ) e coordenadora de Acompanhamento da Gestão e Controle Interno da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Gláucia Moraes. A moderação foi do diretor da 12ª Distrital da Associação Paulista de Medicina (APM), Luís Eduardo Andreossi.

Os impactos da telemonitorização neurológica hospitalar e em unidades de terapia intensiva foram expostos no maior congresso de telemedicina e saúde digital da América Latina, idealizado pela Associação Paulista de Medicina (APM) e promovido pelo Transamerica Expo Center, pelo diretor da Sinapse, que trouxe para a discussão o conceito do American Heart Association|American Stroke Association guideline em telemedicina, de que a adoção de serviços em tele-neurointensivismo guardam perspectivas positivas nas respostas às principais emergências neurológicas tempo-dependentes – aquelas onde quanto antes a vítima receber atendimento adequado, maiores serão suas chances de sair sem ou com menos sequelas permanentes –, a exemplo do AVC isquêmico, crises de aumento da hipertensão intracraniana ou epilepsia.

“A telemedicina compõe estrutura fundamental para o acesso ao cuidado especializado, hierarquizado e regionalizado”, analisa Santos. “É imprescindível o papel do time multidisciplinar dedicado e é fundamental a associação interativa do profissional na avaliação não apenas qualitativa, mas também em sólidos conceitos de monitorização multimodal – que permite uma avaliação global do estado neurológico da pessoa em situação crítica –, atuação preventiva, agilidade nas tomadas de decisões e na reabilitação multiprofissional”.

No âmbito da telemedicina na cardiologia, a representante da SBC lembrou que o futuro chegou com a possibilidade de detectar, pelo braço, ritmos cardíacos anormais, com boa acurácia, sensibilidade e especificidade. Para Gláucia, a saúde digital modifica a vida das pessoas e, claramente, está ligada à atenção primária. Em relação à cardiologia, ainda não há muitas evidências bem estabelecidas.

“As doenças cardiovasculares são as que mais matam no mundo, mais que qualquer outra. Isso está mudando, mas sua prevalência não. E de fato precisamos da telemedicina para nos ajudar”, disse Gláucia ao mencionar o Estatística Cardiovascular Brasil: 2020, uma plataforma on-line desenvolvida pela SBC com milhares de dados sobre as doenças cardiovasculares e seu impacto no país. A base agrupa informações, números e pesquisas sobre o tema entre os anos de 1990 e 2017.

Além disso, a cardiologista falou sobre a parceria da SBC com a Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil (Arpen-Brasil), que se uniram para disponibilizar no Portal da Transparência um novo módulo com os números de óbitos por doenças cardiovasculares desde o início da pandemia. 

“É um projeto de inteligência artificial, onde acessamos os documentos de óbitos e observamos o que acontece com a morte durante a pandemia da Covid-19 e chama atenção, que se compararmos 2019 com 2020, as mortes por infarto e pelas doenças cardiovasculares específicas diminuíram muito nas diversas regiões. Por outro lado, houve um grande número de mortes por causas inespecíficas em domicílio”, explicou Gláucia.

A SBC segue trabalhando para melhorar a acessibilidade e a custo-efetividade com melhora de desfecho dos atendimentos. A saúde digital é um direito de todos e um dever do Estado, sendo assim, para Gláucia é imprescindível levá-la para todos os pacientes, especialmente na cardiologia – sua área de atuação.

ENCURTANDO DISTÂNCIAS

As dimensões territoriais do Brasil – quinto maior país do mundo em extensão – e sua população de mais de 210 milhões de habitantes, dificultam a distribuição de especialistas médicos. As regiões norte e centro-oeste, possuem bem menos especialistas que a região sudeste, por exemplo. A necessidade faz com que pacientes sejam encaminhados para outra cidade, para iniciar ou dar continuidade a um tratamento. Isso eleva o custo com transporte e resulta em uma experiência ruim para esse paciente.

Carlos Pedrotti, mostrou o resultado de dois projetos envolvendo telemedicina em regiões remotas. O primeiro trata da assistência médica especializada e telemonitoramento de enfermagem dos casos de Covid-19 positivo no Norte do Brasil por meio da telemedicina. Foram incluídas sete especialidades médicas e 120 municípios. A iniciativa já possui uma implantação em 23% das cidades. O segundo é a Missão Iauaretê, que ofertou oito especialidades no extremo norte do Amazonas. “O Brasil tem muito a oferecer para populações distantes.”, afirmou.

A inteligência artificial é uma das tecnologias que vêm sendo amplamente utilizadas para otimizar o atendimento aos pacientes, revolucionando o relacionamento com eles, modernizando processos e proporcionando melhores resultados para hospitais e centros de saúde.

Diferente do modelo tradicional onde os pacientes vão até a unidade médica realizar exames e esperam de três a 14 dias para receberem um laudo médico, no marketplace da NeoMed operadores de enfermagem fazem o cadastro desses pacientes, a plataforma centraliza exames de métodos gráficos, os disponibilizando também para os médicos que irão laudar, e esses profissionais em seguida visualizam de forma organizada e única na própria plataforma, entregando o laudo em até 24 horas. A NeoMed realiza exames cardiológicos, neurológicos e pulmonares, aliando telemedicina assíncrona e síncrona.

Houve uma explosão recente no âmbito da quantidade de dados, principalmente digitais, que se têm disponíveis. O processamento e armazenamento dos computadores aumentou e o custo ficou muito mais baixo. Novas técnicas de deep learning – um tipo de machine learning, ou aprendizado de máquina, que treina computadores para realizar tarefas como seres humanos – surgiram e facilitaram o tratamento. “A inteligência artificial é muito boa para dados objetivos, porém ela funciona assim como o estetoscópio, ao nos ajudar na conduta do diagnóstico do paciente, nunca substituindo o conhecimento humano e a relação médico-paciente. O médico tem que se acostumar porque ela só tem a auxiliar em um futuro próximo”, garantiu Kuster.

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