“Painel Internacional 2” é destaque no quarto dia do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2020

Artigo “Painel Internacional 2” é destaque no quarto dia do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2020
Data:

16/10/2020

As apresentações apontaram a necessidade de soluções inteligentes e como a digitalização da medicina está transformando o sistema de saúde

O “Painel Internacional 2”, mediado por Jefferson Gomes Fernandes, presidente do Conselho Curador do Global Summit Telemedicine & Digital Health 2020, promovido pela Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com o Transamerica Expo Center, trouxe à tona uma série de abordagens relevantes sobre o futuro da saúde, especialmente neste momento em que o uso de dados, da inteligência artificial e da realidade virtual já estão presentes nesse campo.

Conhecido como o primeiro médico a transmitir uma cirurgia em ambiente virtual, Shafi Ahmed, Professor da Harvard Medical School, Estados Unidos e da Bart’s Medical School, Reino Unido, apresentou “A Global Perspective of Digital Health” (“Uma Perspectiva Global sobre a Saúde Digital”), onde apontou a necessidade de se ‘redesenhar’ o setor. “Estou falando de um novo Design Thinking, de agilidade de processos em todos os níveis da saúde, do melhor entendimento dos profissionais sobre recursos tecnológicos”, sublinhou.

Segundo Ahmed, faz-se necessário pensar em novas intervenções e melhorias. “Isso também inclui a formação de recursos humanos conectados com este momento, novos modelos de parcerias que primem pela excelência e agilidade de processos no sistema de saúde”, observou. E mais: uma vez que a população também está envelhecendo em muitos países, estão surgindo doenças crônicas associadas à idade avançada e essa questão é outra a ser pensada.

Ahmed ainda destacou a importância da medicina preventiva, da Telemedicina, do atendimento totalmente personalizado ao paciente e do uso da inteligência artificial no processo de empoderamento do sistema de saúde. Além disso, apontou que a pandemia da Covid-19 acelerou as transformações tecnológicas, que a chamada Globalização 4.0 é uma realidade, que a força de trabalho especializada será fundamental para o futuro da saúde e que é preciso pensar nos meios de manter os pacientes ‘fora do hospital’, com médicos e profissionais trabalhando remotamente e adotando conexões inteligentes pelo melhor atendimento”.

Na apresentação “Innovation Models in Healthcare – The Israeli Experience” (“Modelos de Inovação em Saúde – A experiência israelense”), de Esti Shelly, diretora de Inovação Digital doMinistério da Saúde de Israel, também destacou que a pandemia da Covid-19 foi determinante para acelerar muitos dos processos no sistema de saúde no país. No entanto, Shelly observou que é preciso buscar inovações e novas estratégias. Para isso, ela exibiu uma análise SWOT – Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), ferramenta usada para fazer uma análise ambiental e servir como base de um planejamento estratégico no setor.

Em se tratando das Forças, Shelly observou que Israel é muito experiente na gestão de dados; tem mais de 20 anos utiliza o Prontuário Eletrônico do Paciente; seu ecossistema de saúde é muito forte; tem mais de 500 empresas de saúde digital; é líder na indústria da medicina; que a indústria de TI local é muito atuante; que os médicos israelenses são ágeis na adoção de tecnologia e que o país tem um ótimo sistema de reembolso e cobertura nos cuidados com a saúde. Como Oportunidades, Shelly destacou que o envelhecimento populacional e o aumento de doenças crônicas vão impulsionar o aumento do consumo em saúde e que o uso de novas tecnologias será amplamente alavancado.

Shelly observou que, entre as Fraquezas, ainda há pesquisas desalinhadas com o atual momento da saúde; as leis não estão atualizadas, há hospitais sem a total sinergia com os avanços tecnológicos, ou seja, mantém ainda sistemas antiquados; que o idioma hebraico restringe o mercado que anseia por novas oportunidades (Israel é o único país com o idioma hebraico) e que há falta de modelos econômicos profundos.

Além de sua breve análise SWOT, Shelly apontou que muito embora o processo de licitações em Israel ainda seja complexo e burocrático, alguns projetos pilotos estão buscandotrazer mais inovações para o sistema de saúde. “Tivemos 54 programas pilotos em 30 organizações de saúde”, revelou. De olho no futuro da saúde, ela apontou alguns caminhos, como ambiente regulatório favorável, estabelecer infraestrutura nacional e a promoção de parcerias.

Na terceira apresentação do “Painel Internacional 2”, “Delivery for the stay at home economy: virtualizing healthy living” (“A economia do ‘fique em casa’: um estilo de vida saudável e virtual”), Karsten Russel-Wood, líder de marketing de portfólio global do Connected Care Post Agute e Home Cluster da Philips Healthcare, Estados Unidos, afirmou que a descentralização do sistema de saúde é cada vez mais necessária e que “O hospital do futuro será o lar”!

Wood observou que a pandemia da Covid-19 ajudou a modificar o conceito físico de hospital e a entender que mudanças na saúde são necessárias, incluindo a adoção de práticas e tecnologias que se encaixem em um modelo sustentável para a entrega de serviços de medicina. Ele ainda salientou que o apoio das organizações de saúde será essencial para ajudar a adotar novos formatos de tecnologias para garantir sua usabilidade, que os governos globais deverão apoiar o atendimento médico virtual e que as políticas públicas e de reembolso também são dois pontos a serem aprimorados.

Ainda de acordo com Wood, há cada vez mais interesse do paciente em receber atenção médica em casa por questões de segurança, proteção e bem-estar. “É preciso pensar em sistemas de engajamento, com capacidade de conectar dados com interoperabilidade, utilizar as tecnologias de celulares e de wearables, dissociar o atendimento de doentes crônicos para podermos focar nas condições subjacentes que provocam fricção e criam um grande custo e geram insatisfação tanto para paciente quanto os profissionais da saúde”, detalhou.

Entendendo que o lar passou a ser o epicentro das operações vitais e o local onde são realizadas uma série de atividades com um alto grau de sucesso, Wood apontou a necessidade de um ecossistema de soluções para proporcionar serviços hospitalares no lar com intervenções mais proativas para pacientes e os profissionais da saúde. Gravidez, processos de encaminhamentos, monitoramento global e a capacidade de apoiar equipes de emergência, entregando informações preliminares para os profissionais de saúde, novos dispositivos que medem sinais vitais, por exemplo, estão entre os desafios apontados por Wood nesse sentido.

“Com a pandemia, vimos que é possível usar a Telessaúde e Telemedicina para mitigar um aumento rápido dos atendimentos agudos, melhorar a eficiência dos hospitais, beneficiar o custo, a qualidade e o acesso aos profissionais de saúde. No entanto, resolvida a crise da pandemia com o surgimento de uma vacina, creio que teremos que estar preparados para atender aqueles indivíduos que não receberam atendimento médico preventivo e aqueles que tiveram a saúde mental altamente impactada em função do isolamento. Isso sem contar nos casos de diabetes, apneia do sono e obesidade (que estão sendo cada vez mais prevalentes). Nesse cenário, sem dúvida, a virtualização da medicina e o atendimento em casa serão fundamentais.

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