Médicos precisam de formação ético-digital no Brasil, diz Chao Lung Wen


  • 08/05/2019
  • Artigo

Na opinião do chefe de telemedicina na FMUSP, atraso da área no país se deve a “procrastinação médica”.

Médicos precisam de formação ético-digital no Brasil, diz Chao Lung Wen

 

A adoção da telemedicina ainda provoca controvérsia no Brasil. Embora a prática seja regulamentada no país desde 2002, parte dos médicos e profissionais de saúde mantém restrições quanto à expansão do serviço – uma tendência já patente na Europa e na América do Norte.

Em geral, a oposição vem do argumento de que o atendimento mediado pela tecnologia promove a quebra da relação pessoal entre médicos e pacientes. “Estamos carentes de uma formação ético-digital”, contrapõe Chao Lung Wen, professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e chefe da disciplina de telemedicina. “Desde 2002, foi feito muito pouco para institucionalizar [a telemedicina] dentro da formação médica e da graduação”, conclui o professor, que foi um dos destaques da primeira edição do Global Summit Telemedicine and Digital Health.

No evento, Chao apresentou um painel sobre educação em ética e responsabilidade digital para telemedicina e falou sobre a necessidade de adaptar a formação das escolas médicas às novas práticas digitais. De acordo com o professor, um dos grandes desafios enfrentados pela área no Brasil diz respeito à atualização dos médicos frente às transformações digitais na profissão – por exemplo, o uso de inteligência artificial em diagnósticos.

“Precisamos desenvolver a formação médica com conteúdos que informem os fundamentos da telemedicina, pelo menos de três em três anos”, explica o médico, que atribui o atraso brasileiro a uma “procrastinação médica”. “A evolução tecnológica aconteceu de uma forma tão rápida que a educação ficou atônita. Não conseguimos acompanhar [a tecnologia] de forma suficientemente rápida para enxergar os perigos e os problemas gerados e transformados pelos recursos digitais”, conclui.

Na visão de Chao, a telemedicina é uma evolução para uma nova realidade social, em que a comunicação deixou de ser um elemento mediador no status quo para se tornar seu alicerce principal. Por isso, o médico ressalta a urgência de um debate, por exemplo, em relação à inteligência artificial – presente em aplicativos como Google Assistant e a Siri, que utilizam reconhecimento de voz para atuar como assistente pessoal.

Segundo Chao, o “médico do futuro” vai ser uma espécie de profissional híbrido – além de operar no atendimento aos pacientes, ter a capacidade de lidar com diferentes fontes de informação dentro do processo.

“O médico do futuro é aquele que sabe ampliar as capacidades de atenção ao paciente, incorporando os recursos interativos para oferecer o atendimento integral: um atendimento que não está restrito à presença física”, explica.

Presença no Global Summit
No evento organizado pela APM (Associação Paulista de Medicina) e pelo Transamerica Expo Center, Chao também ministrou um painel sobre educação em telemedicina. O painel foi organizado ao lado dos médicos Raymundo Soares de Azevedo Neto, Marcos Loreto, Alexandre Taleb e Gyorgy Miklós Bohm.
“Primeiro, uma das coisas boas foram as reuniões de organização de evento, que aproximaram pessoas de diversas áreas”, argumentou Chao. “Segundo, os eventos de Warm Up, que foram cinco atividades de fomento. Aí tem o Global Summit, que foi um momento de criação de relacionamentos e recepções, um evento de fechamento”, acrescentou.

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