Inteligência artificial vai aproximar o médico do paciente

Artigo Inteligência artificial vai aproximar o médico do paciente
Data:

31/08/2021

Gustavo Meirelles, vice-presidente médico do Grupo Alliar, explica que a tecnologia auxiliará, cada vez mais, os profissionais de saúde para que eles possam focar na qualidade do cuidado com o paciente

Há um grande potencial para inovações no setor de saúde e a inteligência artificial (IA) vem se destacando nos últimos anos, tanto no cenário nacional quanto mundial, com a automatização de processos, redução de erros, ganhos de eficiência e aumento da qualidade do atendimento e do tratamento.

O painel internacional “Inteligência Artificial em Saúde” (“Artificial Intelligence in Health”), que aborda o tema, é um dos destaques da programação da 3ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health (GS 2021) – o maior e mais relevante encontro sobre telemedicina e saúde digital da América Latina. Promovido pela Associação Paulista de Medicina, em parceria com o Transamérica Expo Center, o evento será realizado de 9 a 12 de novembro, em formato virtual, e terá como tema central “Transformação digital a serviço da vida”.

Moderado por Niklas Lidströmer, médico especialista do Instituto Karolinska, de Estocolmo, na Suécia, e editor-chefe da “AI in Medicine” (Springer Nature), este será um dos principais debates do GS 2021.

Este painel contará ainda com a participação de: Yonina C. Eldar, PhD, professora do Departamento de Matemática e Ciências da Computação do Instituto Weizmann de Ciência, de Rehovolt, em Israel, e Head Center para Engenharia Biomédica, da Faculdade de Matemática e Ciência da Computação, do mesmo Instituto; Bart M. ter Haar Romeny, PhD, professor emérito em Análise de Imagens Biomédicas, do Departamento de Engenharia Biomédica, da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda; e Eric Herlenius, PhD, professor de Pediatria e consultor sênior do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança, no Instituto Karolinska.

Para Gustavo Meirelles, doutor em Radiologia e Diagnóstico por Imagem, com pós-doutorado em PET/CT no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de Nova York (EUA), com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, presidente do I2A2 – Instituto de Inteligência Artificial Aplicada e vice-presidente médico do Grupo Alliar, a IA vem ganhando espaço na saúde por trazer inúmeros benefícios ao setor, aos profissionais que nele atuam e aos pacientes. 

“A inteligência artificial vai trazer ao médico e aos demais profissionais de saúde a possibilidade de ficarem mais próximos do paciente. Com as máquinas fazendo as quantificações e análises de tarefas repetitivas, os médicos poderão focar naquelas capacidades mais humanas, como sensibilidade, empatia e cuidado com o paciente”, ressaltou Meirelles.

Na entrevista a seguir, ele comenta os desafios da prática da IA no Brasil, a importância de se investir em conhecimento e novas tecnologias em saúde e a relevância do Global Summit em debater o tema. Acompanhe!

Onde e como a inteligência artificial é aplicada na saúde?

A inteligência artificial é um conceito bem amplo que envolve diversas tecnologias, como algoritmos, sistema de aprendizado de máquinas e redes neurais, para tentar simular habilidades ligadas à inteligência humana: análise de dados, tomadas de decisão de raciocínio lógico, entre outras, com grandes aplicações no campo da saúde e da medicina, como, por exemplo, a análise de imagens: raio-X, tomografia, ressonância e qualquer outro tipo de imagem; no acompanhamento de um paciente, pode-se usar algoritmos para definir a melhor conduta, qual o melhor tratamento. Enfim, é um campo muito amplo para a IA na medicina e só vem se expandindo.

Quais os benefícios trazidos pela IA à saúde humana?

São diversos benefícios e eu acredito que a inteligência artificial vai trazer para o médico e para os demais profissionais de saúde a possibilidade de ficarem mais próximos do paciente, tendo em vista que hoje esses profissionais têm inúmeras funções burocráticas ou de análise de dados no seu dia a dia. Quantificações, mensurações, tudo isso a máquina faz melhor que o ser humano, conseguindo analisar tarefas repetitivas, sem se cansar e com menos erro, permitindo assim que o ser humano foque naquelas capacidades mais humanas, como sensibilidade, empatia e cuidado com o paciente.

Como o Brasil está em termos de evolução em IA para a saúde?

O Brasil tem diversas startups que estão se destacando muito com inteligência artificial na saúde e grandes empresas do setor também têm investido nessa tecnologia. O país possui profissionais de grande destaque, com enorme capacidade em IA. Nós já temos alguns institutos de formação e treinamento de profissionais, diversas empresas e startups elaborando algoritmos e trabalhando muito com IA. O que nos falta é uma política pública governamental para inteligência artificial como um todo, não só na saúde, que poderia alavancar esse tipo de tecnologia por aqui.   

As inovações tecnológicas trazem enormes desafios aos profissionais, aos sistemas e serviços de saúde, principalmente no que se refere ao seu uso de forma responsável, segura e eficiente. Como adquirir esse conhecimento?

São conhecimentos que mudam muito rapidamente, inclusive difícil da gente se atualizar. Está aí uma outra aplicação para a inteligência artificial: conseguir ler artigos científicos, dissecar os melhores estudos, trazer um resumo, uma visão crítica deles. O ideal para o ser humano é se manter sempre atualizado, lendo artigos de referência, participando de webinars, de discussões. Existem alguns centros de treinamento de IA no Brasil, e eu destaco o I2A2 – Instituto de Inteligência Artificial Aplicada, sem fins lucrativos, onde sou o atual presidente, que atua no desenvolvimento profissional focado nesta tecnologia, por meio de parcerias com empresas e centros educacionais, fomentando o desenvolvimento de competências de estudantes e profissionais. 

Por que é essencial discutir essas práticas?

Porque faz parte da chamada indústria 4.0. Nós temos a tecnologia, a transformação digital, cada vez acontecendo de forma mais intensa e quem estiver atualizado, não digo saber programar, fazer algoritmo, saber de rede neural. Mas ter conhecimento, uma análise crítica sobre inteligência artificial. Quem não estiver atualizado nessa tecnologia, vai ficar muito para trás. É fundamental que médicos e outros profissionais de saúde estejam em dia com IA e as novas tecnologias.

Quais os desafios e obstáculos para alcançarmos a excelência em inteligência artificial no Brasil?

Além da falta de uma política governamental de estímulo ao ensino e à pesquisa de inteligência artificial no Brasil, outros obstáculos acabam sendo, muitas vezes, a baixa remuneração dos pesquisadores, falta de fomento público. Até existem instituições privadas com iniciativas para tentar suprir a ausência do ente público, mas o que acontece, infelizmente, é a perda de talentos para o exterior. Temos pessoas muito talentosas que acabam não tendo espaço para se desenvolver no país. 

A 3ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health, que será de 9 a 12 novembro, vai abordar em um painel internacional a Inteligência Artificial em Saúde, com palestrantes internacionais. Na sua opinião, qual a importância de debater a IA em um evento como o Global Summit?

Acho excelente. O Global Summit vai falar sobre telemedicina e saúde digital, temas que tem tudo a ver com a inteligência artificial em saúde. É o fórum ideal para que o tema seja abordado e com papel de destaque.    

Qual a relevância do Global Summit Telemedicine & Digital Health para a telemedicina, saúde digital e para o ecossistema da saúde?

O evento é extremamente relevante e ele já ocupa um lugar de destaque no cenário nacional e internacional de debates sobre esses temas. Muito importante a edição deste ano, por estar reforçada com palestrantes de renome. Esperamos com expectativas o Global Summit em novembro próximo.

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