Empresas de telemedicina e saúde digital criam associação para apoiar o desenvolvimento sustentável do setor

Artigo Empresas de telemedicina e saúde digital criam associação para apoiar o desenvolvimento sustentável do setor
Data:

24/06/2021

Saúde Digital Brasil quer ampliar o acesso à assistência à saúde por meio da tecnologia e promover o desenvolvimento científico-tecnológico e a inovação no pós-pandemia

Entidades que atuam na cadeia de prestação de serviços de telemedicina e que desenvolvem atividades relacionadas à saúde digital uniram-se e fundaram, em 2020, a Saúde Digital Brasil (Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital), visando garantir que a tecnologia cumpra o seu papel de ampliar o acesso à saúde e colocar cada vez mais o paciente no centro do cuidado

A SDB é uma organização sem fins lucrativos, que surge com o objetivo principal de garantir a continuidade, mesmo após a pandemia de Covd-19, da assistência à saúde por meio da telemedicina e da telessaúde, em todo território nacional. Além de possibilitar o acesso universal, incrementar o desenvolvimento científico-tecnológico e a inovação na saúde. 

“Acreditamos na telemedicina plena e em seu papel vital para alcançarmos nossos objetivos e garantir um atendimento digno, com qualidade, mas também ágil, eficiente e racional. A utilização de recursos eletrônicos pode aumentar o engajamento do paciente, tornando-o o maior parceiro da sua própria saúde. É essa autonomia de escolha que deve nortear o ato de cuidar das pessoas, seja o profissional de saúde que for. Especialmente no caso dos médicos, eles dispõem das condições de optar pelo uso ou não da teleconsulta ou da teleorientação”, explica Eduardo Cordioli, presidente da SDB, gerente médico de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Conselho Científico do Global Summit Telemedicine & Digital Health. 

À frente da entidade, além de Cordioli, está Caio Soares, como vice-presidente (diretor médico da Teladoc), apoiados por Fábio Luís Pinto Tiepolo (CEO e Founder da Docway); Guilherme de Souza Weigert (CEO e Co-founder da Conexa Saúde), Fábio Cunha (diretor jurídico do Grupo Dasa) e Wilson Shcolnik (gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica – Abramed).

A SDB organizou Grupos de Trabalhos para fomentar a discussão de temas específicos, como segurança de informação e de sistemas, inclusive de prontuários eletrônicos; prescrição e dispensação de medicamentos; interoperabilidade entre sistemas do SUS e da saúde suplementar; protocolos clínicos e melhores práticas assistenciais relacionadas à telemedicina, como consentimento informado, limites de atuação a distância, entre outras; e relacionamento com as sociedades de especialidade médica. 

Como associação sem fins lucrativos, a entidade visa ainda contribuir para aperfeiçoamento do modelo assistencial, para criação de um marco regulatório e para o desenvolvimento qualificado e sustentável do setor de saúde. 

O papel da telemedicina e da saúde digital 

Ao longo de sua história, que se iniciou na década de 1950, a telemedicina passou por grandes mudanças, principalmente com o avanço dos meios de comunicação e o advento da internet.

Hoje, está inserida em um conceito mais amplo, conhecido como saúde digital (eHealth), podendo ser subdividida em alguns ramos principais, sendo eles: teleassistência, incluindo gerenciamento de pacientes crônicos; telediagnóstico, com a emissão de laudos a distância; saúde móvel (mobile health), com o apoio tecnológico de dispositivos móveis; teleconsulta, feita diretamente entre médicos e pacientes; e teleconsultoria entre profissionais de saúde.

“Trata-se de atividades alinhadas aos princípios de equidade, universalidade e igualdade, do Sistema Único de Saúde (SUS), ao ampliar o acesso aos serviços de saúde, trazer maior resolubilidade com segurança e qualidade da prática médica para o cidadão, especialmente aquele que se encontra em áreas mais distantes, e promover a transferência de conhecimentos de centros de excelência para unidades com menores recursos”, ressalta Cordioli, lembrando que esta tecnologia amplia e qualifica a assistência à saúde, com melhoria do atendimento à população, especialmente em um país de dimensões continentais como o Brasil.

Para o presidente da SDB, a telessaúde e a telemedicina, que durante a pandemia ganharam os holofotes e salvaram muitas vidas, são, sem dúvida, ferramentas que ampliam o acesso à saúde e diminuem custos. Grande parcela da população foi assistida com segurança em mais de um ano de autorização da prática e empresas cuidaram adequadamente dos seus colaboradores usando a tecnologia. Por meio delas, tem sido possível aprimorar a experiência do paciente, reduzir desperdícios, evitar atrasos no diagnóstico e condutas e, com isso, levar mais qualidade à saúde da população.

Segundo Cordioli, as empresas associadas à Saúde Digital Brasil realizaram em um ano mais de 7,5 milhões de teleconsultas, durante o período de pandemia. Destas, 87% foram primeiras consultas em pacientes com sintomas agudos não complexos, o que evitou cerca de 6,5 milhões de idas ao pronto atendimento, que já se encontrava saturado. Destes atendimentos, cerca de 75 mil impactaram na sobrevida do paciente, sendo que ele poderia ter tido um desfecho pior se não houvesse a possibilidade de atendimento médico remoto.

“Se a telemedicina e a telessaúde foram tão relevantes neste último ano, justamente por ampliarem o acesso e direcionarem o paciente ao local mais adequado à sua jornada assistencial, por qual motivo não poderiam ser utilizadas após esse período? Qual país do mundo constitui um exército apenas no período de guerra? Será que esta não é a ferramenta para realmente exponencializar o acesso da população brasileira à saúde? Será que esta não é a ferramenta para um atendimento mais humanizado, de uma população já sacrificada? Será que esta não é a saída para uma importante redução de pressão por atendimento no sistema público? O aprendizado não cessa, é preciso estar sempre treinando, alerta, e se aprimorando no uso da tecnologia, mesmo em tempos de normalidade”, provoca Cordioli.

Ele vê como principais desafios para a saúde digital no Brasil: a falta de uma regulamentação adequada, que acaba por gerar insegurança jurídica, o que provoca carência de investimentos tecnológicos, subcontratação, falta de organização de processos de trabalho, entre outros; falta de treinamento de telessaúde, gerada pela não regulamentação; e o aspecto geográfico e o desafio de prover internet de qualidade para todas as cidades do Brasil. Porém, o presidente da SDB vê este como o menor de todos os impeditivos, pois com a iminência do advento do 5G em território nacional e possibilidade de internet satelital e outras modalidades, ele acredita que haverá 100% de conexão em todo o país.

“A saúde digital é a única forma de democratizarmos a saúde em nosso país, dado a sua continentalidade e a carência de profissionais em áreas remotas, além disto, ao melhorar a experiência do paciente com o tratamento, melhorarmos a aderência, e quando isso acontece, melhorarmos desfecho e evitamos desperdício”, afirma Cordioli.

Por este motivo, ele afirma ser tão importante participar do Global Summit Telemedicine & Digital Health, que terá sua terceira edição realizada de 9 a 12 de novembro, em formato virtual.

“É um evento muito importante, pois traz as melhores experiências internacionais para o nosso conhecimento, promove networking entre as maiores instituições que praticam a telessaúde. Além disso, boas práticas são compartilhadas e publicadas”, conclui Cordioli.

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