Cliques que facilitam acesso a dados clínicos de pacientes: uma realidade em Portugal

Artigo Cliques que facilitam acesso a dados clínicos de pacientes: uma realidade em Portugal
Data:

28/10/2020

As conquistas e avanços na saúde nos países europeus, proporcionados pela tecnologia, foram os destaques no segundo dia do Global Summit Telemedicine & Health 2020

O maior e mais importante evento em telemedicina e saúde da América Latina, idealizado pela Associação Paulista de Medicina (APM), promovido e realizado pelo Transamerica Expo Center, o Global Summit Telemedicine & Health 2020 reuniu um elenco renomado de líderes e autoridades globais em saúde nos quatro dias de encontro. Para traçar um panorama atualizado do sistema de saúde na Europa e destacar os avanços no setor em Portugal, o convidado foi Henrique Martins Lisboa, Associate Professor in Health Management and Leadership at FCS-UBI and ISCTE-IUL.

Na conferência “Digital Health: Europe and Portugal”, o especialista mostrou que saúde digital na União Europeia já é uma realidade e nos últimos anos, diferentes contextos políticos e sociais permitiram avanços na área. “Trabalhamos continuamente criando uma estrutura tecnológica em favor da conexão de dados digitais entre cidades e regiões dos países europeus. Quando começamos o trabalho em Portugal, por exemplo, atuamos em quatro frentes: saúde mobile, telessaúde, interoperabilidade e proteção de dados. Nossos esforços contaram com autoridades de vários países europeus e resultaram uma saúde mais hightech ao cidadão”.

Antenado com o contexto global, o professor sugeriu ao Brasil uma solução para potencializar a assistência à saúde: criar uma rede in health, programa que vem apresentando resultados positivos no velho continente. “Na União Europeia o Ministério da Saúde conta com tem um representante de cada país. No Brasil pode fazer sentido um projeto similar, com um representante de cada Estado no órgão. É um modelo a se considerar”, destacou completando “É uma forma de discutir temas pertinentes sobre diferentes ângulos, onde destacar investimentos, como implantar cibersegurança, sobretudo analisar os esforços para a interoperabilidade do modelo”, explicou.

Os programas de tecnologia da informação, que há oito anos estão favorecendo o acesso ao ciclo de vida do cidadão português, inspiraram Lisboa a destacar como os sistemas inovadores que estão sendo implementados no País potencializam a qualidade e agilidade no atendimento. “Desenvolvemos com nossos parceiros europeus diversas políticas internacionais como a ‘Diretiva 2011’, que estabelece, por exemplo, que qualquer cidadão europeu pode se beneficiar de cuidados da saúde em qualquer país da União Europeia, ou seja, os dados de saúde daquele paciente viajam junto com ele. Se não funcionar assim, todos os esforços para a saúde e qualidade de vida dos cidadãos não estarão otimizados”, pontua e chama atenção para toda a arquitetura federal estruturada na Europa para potencializar a comunicação entre os países e garantir acesso facilitado aos dados do paciente, prontuário e receitas médicas.

Desde 2012, Portugal adota estratégias pensadas exclusivamente para potencializar a saúde digital. “A primeira estava focada em 2020 e foi produzida a partir de com ferramentas oferecidas pela Organização Mundial da Saúde e apoio dos hospitais que tiveram três anos para implantar projetos saúde digital. Agora estamos focados nas estratégias para as propostas de saúde digital para 2022, que pretende otimizar os cuidados primários e a rede de atendimentos privados”.

Lisboa mostrou também como executar com sucesso saúde digital nos país, destacando que é necessário além de amparo em ética digital, investir esforços em cibersegurança, contar com uma força de trabalho qualificada, apostar em sistemas de robótica e análises de dados. Fundamental também é mapear os objetivos para a criação deste ecossistema em saúde digital para agregar valor à sociedade. “Em Portugal 80% dos médicos podem elaborar a receita pelo celular e os pacientes podem acessar os dados onde estiverem, com alguns cliques. O sistema foi implementado em 2015 e é atualizado constantemente. Temos uma verdadeira coletânea de dados no sistema nacional de saúde e tecnologia da informação que beneficia diretamente os portugueses com a saúde mobile, desenvolvida com software que segue protocolos para garantir a segurança dos dados”, conclui.

Revelou ainda os novos projetos desenvolvidos para a saúde em Portugal, como a análise correta caso a caso para a prescrição de antibióticos, ou ainda o índice de pacientes que podem buscar os centros de emergência estimado com base no histórico clínico individualizado. Há ainda o telehealth center que estima tempo e trânsito para calcular os riscos dos pacientes até a chegada no centro de emergência. “Todos esses avanços e projetos em curso são possíveis graças aos constantes aportes em inovação e tecnologia. Mas é preciso desenvolver saúde digital, mas não estamos falando apenas de Inteligência Artificial, robótica. É necessário mudar o paradigma médico, criar lideranças conectadas criando políticas que priorizem a temática e precisamos ter uma estratégia digital específica para cada país. Também é importante pacientes também sejam digitais” e finaliza “Telemedicina, telessaúde é a nova saúde”.

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