“A telemedicina pode promover o aumento do acesso aos serviços de saúde”

Artigo “A telemedicina pode promover o aumento do acesso aos serviços de saúde”
Data:

16/04/2020

Para o prof. Dr. Jefferson Gomes Fernandes, neurologista e Presidente do Conselho Curador do Global Summit Telemedicine & Digital Health, a pandemia de coronavírus (COVID-19) está possibilitando que profissionais da saúde vivenciem os benefícios da telemedicina na assistência médica.

Confira a entrevista especial com o Dr. Jefferson Gomes Fernandes sobre o tema:

1. No dia 20/03, o Ministério da Saúde publicou uma Portaria regulamentando temporariamente a telemedicina durante a pandemia de coronavírus (COVID-19). Esta decisão pode significar um precedente importante para a regulamentação do tema no Brasil?

Sim. Foi muito importante a aplicação desta Portaria porque ela prevê diversas modalidades da telemedicina. O artigo 2º diz que as ações de telemedicina e de interação a distancia podem contemplar o atendimento pré-clínico, o suporte assistencial, consulta, monitoramento e diagnóstico através das tecnologias de informação e comunicação tanto para o SUS, quanto para a saúde suplementar e privada. Isso tudo engloba a teleconsulta, que é a grande questão com relação à regulamentação para o atendimento direto do médico ao paciente. A Portaria abrange apenas o período da pandemia de coronavírus, mas a minha expectativa é que depois da experiência de uso da telemedicina, conhecendo seus benefícios e também suas limitações, possa haver uma expansão para que se possa usar esta tecnologia no dia a dia para os cuidado das pessoas e da população.

2. Normas do Conselho Federal de Medicina ainda impedem a prática da telemedicina no país. Frente à pandemia da COVID-19 e à Portaria do Ministério da Saúde, o senhor acredita que essa posição do CFM pode mudar?

O CFM publicou uma nota que autoriza algumas das modalidades da telemedicina, como a teleorientação, o telemonitoramento e a teleconsultoria entre médicos. Claro que o Ministério da Saúde acaba assumindo o protagonismo na liberação da teleconsulta com relação ao atendimento médico direto ao paciente, mas acho que isso deve impactar dentro do Conselho Federal de Medicina no sentido de poder avaliar sua posição. A expectativa é que a Portaria possa contribuir neste sentido.

3. O enfrentamento à COVID-19 trouxe o pensamento de que a telemedicina pode ajudar tanto o paciente, quanto os médicos e o próprio sistema, colaborando para desafogá-lo. Que legado a pandemia pode nos deixar nesse sentido?

A possibilidade da telemedicina em ser utilizada em toda a suas modalidades, principalmente na teleconsulta. E esta experiência vai se mostrar útil, pois vai promover o aumento do acesso aos serviços de saúde e à resolução dos problemas.

4. Diversos veículos da imprensa fizeram reportagens sobre usos bem sucedidos da tecnologia na assistência médica pelo mundo para conter a pandemia de COVID-19. Aqui no Brasil, de que forma os profissionais de saúde podem colaborar no debate à regulamentação da telemedicina?

Nesse primeiro momento, usando e experimentando as tecnologias da telemedicina, para orientar seus pacientes. Essa colaboração vem do próprio uso e da experiência que os profissionais vão ter. O ideal seria capacitar esses profissionais para fazer a teleconsulta, pois há uma serie de questões que precisam ser incorporadas na relação do médico com o paciente utilizando uma plataforma online. É preciso garantir o acolhimento e transmitir confiança, por exemplo. A própria Associação Paulista de Medicina solicitou a mim a criação de um curso de capacitação para auxiliar médicos a terem uma melhor segurança e qualidade no uso de telemedicina.

A outra forma é o debate, a discussão e a transmissão do conhecimento para que haja um entendimento de que a telemedicina não é uma coisa complexa e nem vai substituir o médico, ela é um complemento à atividade presencial e pode ser usada quando conveniente. Os Warm Ups, eventos que fazemos antes do Global Summit, têm mostrado um benefício importante, pois há uma repercussão de que cada vez mais os médicos e profissionais entendem o contexto da telemedicina e como ela pode ser bem utilizada.

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