A tecnologia como fator de mudanças exponenciais na medicina e saúde das populações

Artigo A tecnologia como fator de mudanças exponenciais na medicina e saúde das populações
Data:

20/04/2020

Em pleno momento de grandes transformações digitais decorrentes do isolamento social para a contenção da Covid-19, vivemos uma maior interação tecnológica por meio de ferramentas e soluções em diversas áreas e, a saúde digital e a telemedicina, ganham amplo destaque no cenário nacional e internacional no combate à pandemia.

No Brasil, os últimos dois meses vêm apontando grandes mudanças e desafios no cenário da saúde associada à tecnologia. Enquanto o Conselho Federal de Medicina aprovou, em 19 de março, o uso da telemedicina para atendimento a distância exclusivamente durante a pandemia do novo coronavírus, mas sem incluir a teleconsulta, o Ministério da Saúde publicou a Portaria nº 467, de 20 de março, com o objetivo de regulamentar e operacionalizar as medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública, incluindo a teleconsulta.

Com essas medidas, fica permitido em caráter excepcional e temporário, o uso da telemedicina entre profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), da saúde suplementar (operadoras e seguradoras de saúde) e da medicina privada.

“Sem dúvida, nesse novo cenário, a telemedicina foi impulsionada de forma rápida devido a Covid-19, mas ainda precisamos evoluir muito para aproveitarmos todo o potencial de uma telemedicina responsável e com foco nas necessidades da população na área de saúde populacional. Existem questões importantes a serem discutidas no âmbito regulatório e tecnológico para que a telemedicina seja estabelecida como um modelo ético, eficiente e garanta a segurança para pacientes e médicos”, ressalta Dr. Jefferson Fernandes, neurologista e presidente do Conselho Curador do Global Summit Telemedicine and Digital Health.

Para o médico pneumologista Guilherme Safioti, membro da Associação de Medicina Respiratória da Suécia e da European Respiratory Society e especialista em medicina respiratória digital, o maior desafio da telemedicina está na segurança dos dados, a fim de evitar qualquer violação de privacidade que resulte em exposição e uso indevido de informações confidenciais do paciente.

“Além da proteção de dados pessoais, existem inúmeros outros desafios para o estabelecimento de um modelo de atendimento a distância eficaz e seguro, como questões regulatórias, integração de dados, interoperabilidade e experiência do usuário”, explica Safioti.

A medicina e a saúde estão começando a passar por mudanças exponenciais que transformarão o setor nas próximas décadas. “Essa transformação impactará no desenvolvimento de medicamentos, a pesquisa e a forma como gerenciaremos os pacientes. Por isso, é muito importante que profissionais de saúde, cientistas, seguradoras e investidores entendam esse novo cenário. Existirão muitas oportunidades e possibilidades para otimizar o atendimento de uma forma que seja econômica e que aborde as necessidades dos pacientes”, reflete o médico pneumologista.

Na visão do Dr. Jefferson Fernandes, a velocidade das mudanças com a utilização de tecnologias exponenciais proporcionará um maior acesso aos serviços de saúde e com maior resolutividade. A tecnologia e a saúde unidas por meio da inteligência artificial, big data, blockchain, IoMT, nanotecnologia entre outros recursos tecnológicos, permitirão uma medicina mais preditiva, eficiente e personalizada. 

“Tanto no Brasil como no exterior, nós temos conhecimento de inúmeras iniciativas exitosas da Medicina denominada 4.0, que contam com tecnologias disruptivas e de mobilidade, permitindo que a área da saúde seja mais assertiva. Hoje, nossos desafios e esforços estão concentrados em proporcionar conhecimento e discussão de alto nível em torno de modelos existentes e utilizados de tecnologias exponencias, que possam nos ajudar a estabelecer uma telemedicina de ponta e que impacte positivamente na saúde de milhões de brasileiros”, complementa Dr. Fernandes.

O maior e mais importante evento de telemedicina e saúde digital do Brasil e da América Latina, o Global Summit Telemedicine and Digital Health, é o precursor do fomento à discussão de alta qualidade do setor, com a proposta de congregar todo o ecossistema da saúde digital e telemedicina, reunindo todos os atores e os melhores especialistas no compartilhamento do conhecimento e experiências de ações e iniciativas realizadas, tanto no Brasil como em outros países.

Saúde Digital Respiratória

Muitos pesquisadores e cientistas da área da saúde estão estudando novas formas e contribuições de tecnologias para o desenvolvimento de soluções que ajudem a melhorar a saúde da população. Dr. Guilherme Safioti é um especialista em medicina respiratória e pesquisador, cujo foco da linha de pesquisa está na integração da terapêutica digital na prática cotidiana, na utilização da tecnologia para impulsionar a mudança comportamental, na coleta e análise de dados que forneçam insights sobre uma medicina personalizada, que em última instância, podem ser capazes de prever e prevenir resultados clínicos e econômicos negativos.

“Existem muito mais desenvolvimentos nesta direção do que somos capazes de acompanhar. Na área respiratória, assim como para outras doenças crônicas, biossensores e aplicativos móveis coletarão informações fisiológicas e comportamentais continuamente, que serão traduzidas para pacientes e profissionais de saúde como insights acionáveis”, comenta o especialista.

Os biossensores são pequenos dispositivos que usam reações biológicas para identificar um elemento (alvo), que podem ser implantados ou “vestíveis”, facilitando a identificação de doenças sem interferir na qualidade do diagnóstico. Essa tecnologia tem grande potencial para tornar tratamentos de saúde mais eficazes e acessíveis, contribuindo para a melhoria da saúde populacional.

“Pela primeira vez, esse tipo de informação capturada durante a vida diária dos pacientes permitirá que as decisões de tratamento sejam tomadas com base em informações objetivas e precisas. Isso levará a melhores resultados, economia de custos, menor escalonamento desnecessário de tratamento e, portanto, menos reações adversas”, finaliza Safioti.

Dr. Guilherme Safioti está à frente do programa Respiratório Digital, que possibilitou a aprovação dos dois primeiros dispositivos inaladores eletrônicos integrados do mundo, junto à agência regulatória americana de saúde, o FDA.

Os dispositivos possuem sensores embutidos que medem a taxa de fluxo do oxigênio e fornecem informações objetivas sobre o horário, a frequência e a qualidade da inalação por meio de um aplicativo móvel, permitindo que os pacientes assumam um papel ativo no controle de sua própria saúde.

A linha de pesquisa do pneumologista, com foco na eficácia de terapêuticas digitais, abrange a melhoria dos resultados obtidos com pacientes asmáticos e com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bem como estudos de desenvolvimento de algoritmos de machine learning que conseguem prever exacerbações das doenças com base em dados de uso real do inalador digital (digihaler).

O pneumologista brasileiro, radicado na Suécia, integra a lista de palestrantes internacionais convidados para a o Global Summit Telemedicine 2020, que acontecerá em São Paulo entre os dias 13 e 15 de outubro.

Global Summit Telemedicine & Digital Health

O Global Summit Telemedicine & Digital Health é o maior e mais relevante evento da América Latina sobre telemedicina e tecnologias em saúde, idealizado e organizado pela Associação Paulista de Medicina que também é a responsável pela curadoria científica.  A promoção do evento está sob a chancela do Transamérica Expo Center.

A proposta do evento é congregar todo o ecossistema da saúde digital e telemedicina, reunindo os atores e os melhores especialistas destas áreas, para compartilharem conhecimento e experiências de ações e iniciativas nacionais e internacionais, além de criar oportunidades de negócios com sua feira de exposições.

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