A digitalização da saúde como fator determinante na jornada de tratamentos

Artigo A digitalização da saúde como fator determinante na jornada de tratamentos
Data:

28/10/2020

Uma das mais importantes autoridades mundiais em transformação digital dos serviços médicos, a diretora de Digital Health do Ministério da Saúde de Israel, Esti Shelly, falou sobre o assunto no Global Summit Telemedicine & Health 2020

Apontada como a principal responsável pela transformação digital na saúde e na política governamental de Israel, a atual diretora de Digital Health do Ministério da Saúde daquele país, Esti Shelly, foi uma das palestrantes do segundo dia de programação da edição 2020 do Global Summit Telemedicine & Health. Em debate estava: “A telemedicina em tempos de pandemia. A experiência em Israel”.

Sob moderação de José Luiz Gomes do Amaral, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), idealizadora do evento, que teve a realização do Transamerica Expo Center, o painel apresentou ao público um panorama atualizado dos impactos da crise pandêmica no mundo, a partir do olhar da especialista, e propôs uma reflexão sobre a eficiência da digitalização da assistência à saúde para otimizar custos e assegurar o sucesso das jornadas de tratamentos ao redor do planeta.

De acordo com a diretora, a pandemia provocou uma crise global sem precedentes na história recente da humanidade em todo o planeta e em Israel não foi diferente. Em julho deste ano, o país sucumbiu à crise e atingiu o primeiro lugar de infecções per capita da Covid-19 no ranking mundial. Cidades israelense viveram dias de lockdown e o país chegou à marca de três mil infectados por dia, de acordo com relatório da Universidade Johns Hopkins. “Somos um país com mais de 9 milhões de habitantes e crescimento populacional de aproximadamente 2% ao ano. Temos 27 hospitais públicos e o plano de saúde é custeado pelo governo federal. Ano a ano desenvolvemos estratégias para superar as mudanças constantes nos sistemas de saúde global e atender as necessidades de uma população que está envelhecendo. Vemos pessoas acometidas doenças crônicas e tendo que custear tratamento caros”, relatou Shelly, que complementou reportando detalhes sobre a realidade dos altos custos de tratamentos médicos e como a Covid-19 tem desafiado, de forma dramática, o sistema de saúde mundial.

“Hoje, em Israel, há cerca de 70 mil pacientes em tratamento de Covid-19, a maioria em tratamento dentro de casa. Contamos com um ecossistema de saúde diferenciado, com cerca de 500 empresas envolvidas em oferecer serviços de saúde e mais de 25 centros absorvendo dados para o desenvolvimento de soluções”, explicou. Shelly detalhou ainda como o processo de transformação digital da saúde requer uma estruturação sobre dois pilares. “Primeiro é preciso investir em transformação clínica, oferecendo cuidados mais personalizados, preditivos e proativos, é necessário um sistema desenvolvido para fomentar tudo isso. Precisamos de um modelo disruptivo e a colaboração de empresas, habilidades, e tecnologias, até então não disponíveis, são imprescindíveis nesta etapa. Além disso, uma atualização constante de profissionais da saúde com qualificações e habilidades que não tinham anteriormente para saber lidar com sistemas de dados e operações cada vez mais inovadores”.

A diretora de Digital Health enfatizou também que organizações e sistemas de saúde precisam investir em plataformas para absorver dados clínicos, para desenhar os melhores cuidados com os pacientes, e dados que permitam o avanço de pesquisas e estudos clínicos. “Mais do que nunca, é preciso ter um olhar mais atento às ferramentas que empoderem os pacientes e permitam um serviço mais personalizado e preventivo. Precisamos garantir que as ofertas de saúde com qualidade cheguem a todos, independente do perfil ou da comunidade em que se está. Deve haver acesso justo à saúde, seja digital ou presencial”, explicou.

Analisando o presente e olhando para o futuro, Shelly destacou que o governo israelense já investiu mais de US$ 250 milhões na metodologia, contando que nos primeiros meses da pandemia foi criada uma comunidade de telemedicina, formada por profissionais que atuam na linha de frente dos atendimentos, o que tem contribuído com o enfrentamento efetivo à doença. “São profissionais multidisciplinares que lidam diretamente com os pacientes, que tem nos ajudado a definir diretrizes para rotina médica remota e oferecer soluções e cuidados assertivos. É uma telecomunidade com oito frentes de trabalhos, elaborando estratégias e destacando respostas para tratamentos e pesquisas”. Ao abordar a relevância da prática, a especialista pontou que ela será eficaz para os pacientes, se atender as necessidades dos diversos grupos populacionais, por isso precisa ser implementada de acordo com a variância dos serviços médicos. “Precisamos primeiro entender as vantagens e limitações desta tecnologia. Para estar incluída no fluxo de trabalho do médico, é necessário avaliar os atores envolvidos no ecossistema (médicos cuidadores, pacientes), para definir como a telemedicina vai impactar no resultado positivo do tratamento. Sobretudo, é preciso entender também que os governos têm recursos são limitados e eles devem ser destinados a serviços e demandas favoráveis ao bem comum para não se tornar um problema aos legisladores”, concluiu.  

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